Melanie Joy, Ph.D (Doutorada em Psicologia), Ed.M (Mestre em Educação), é psicóloga social e autora do livro "Why We Love Dogs, Eat Pigs, and Wear Cows" (Porque Adoramos Cães, Comemos Porcos e Vestimos Vacas), que explora a ideologia por detrás do consumo de carne e o porquê de alguns animais serem considerados animais de companhia, enquanto que outros são considerados alimento. A Dra. Joy é professora de Psicologia na Universidade de Massachusetts, em Boston, e tem vindo a estudar a psicologia do especismo desde há vários anos.

O que é o carnismo?


 
 
Por Jack Norris (nutricionista)
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Algumas pessoas sugeriram que os veganos não precisam de fortificar as suas dietas com B12 porque outros animais herbívoros não o fazem. Por esta razão, eu incluí o seguinte pequeno exame sobre o assunto.

Sumário
Há muitas maneiras de os animais principalmente, ou completamente herbívoros conseguirem potencialmente obter B12, as quais não estão disponíveis para os veganos que vivem na sociedade Ocidental.

Ruminantes
As vacas são ruminantes, tal como o são os bisões, búfalos, cabras, antílopes, ovelhas, veados, e girafas (1). Os ruminantes têm um estômago com quatro câmaras e uma generosa reserva de bactérias no seu rúmen (a primeira câmara na qual a sua comida entra) (1). Algumas destas bactérias produzem B12 em quantidades normalmente suficientes para satisfazerem as suas necessidades (2).

Primatas
Os primatas não-humanos tipicamente comem pequenas quantidades de ovos, insectos, e pequenos vertebrados e/ou solo (3). Os gorilas, possivelmente os mais próximos do vegano de todas as espécies próximas dos humanos, comem insectos (3, 4) e por vezes fezes (5).



 
 
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Orfeu, Lendário poeta, músico e profeta grego (http://www.animalrightshistory.org/animal-rights-antiquity-bce/orpheus/orpheus-plato.htm).

Mahavira (c. 599-527), Fundador histórico do Jainismo, cujos seguidores são vegetarianos rigorosos (Berry, 2003, pp.19-28).

Pitágoras (c. 570- 490 a.C.), Filósofo e matemático grego. Os seus seguidores também praticavam o vegetarianismo (Rynn Berry, Famous Vegetarians, Pythagorean Publishers, 2003, pp. 3-9; Colin Spencer, Vegetarianism: A History, 2004, pp. 38-69).

Siddhartha Gautama, o Buda (c. 563- 483 a.C.), Líder religioso (Berry, 2003, pp. 11-18, 263; Howard Williams, The Ethics of Diet, Illinois, 2003, pp. 346-352; Norm Phelps, The Longest Struggle, Lantern Books, 2007, pp. 21-23; Walters e Portmess, Religious Vegetarianism from Hesiod to the Dalai Lama, 2001, pp. 61-91).

Lao Tzu (c. 500 a.C.), Autor do Tao Te Ching e fundador histórico do Taoismo (Berry, 2003, pp. 29-36).


 
 
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O vegetarianismo é uma opção alimentar que exclui do cardápio todos os tipos de carne (incluindo aves, peixes e outros animais marinhos). Por sua vez, o veganismo, também conhecido como vegetarianismo estrito, para além da carne, exclui todos os alimentos de origem animal, como os lacticínios, os ovos e o mel. Não se pense que estes sistemas alimentares são limitados! A alimentação vegetariana é baseada numa grande variedade de alimentos deliciosos e saudáveis, e é uma porta para novas texturas e sabores. Inúmeros pratos étnicos são vegetarianos, e muitos pratos tradicionais podem ser adaptados ao vegetarianismo, (inclusive os pratos típicos portugueses).

A maior parte das pessoas torna-se vegetariana para evitar a morte desnecessária de animais sencientes, enquanto outras tornam-se vegetarianas por outros motivos: ambientais, de saúde, espirituais, religiosos ou humanitários.

Uma prática milenar
O vegetarianismo tem sido praticado por muitos indivíduos, povos e grupos ao longo dos séculos, e em muitas partes do mundo. Antes de ter aparecido a palavra “vegetariano”, em 1842, o vegetarianismo era conhecido como regime vegetal ou regime pitagórico (segundo Pitágoras, o filósofo do século VI antes de Cristo). A primeira Sociedade Vegetariana foi fundada em 1847, em Manchester, e logo depois, em todo o mundo foram surgindo outras sociedades vegetarianas. A primeira Sociedade Vegetariana de Portugal (entretanto extinta) surgiu em 1911.


 
 
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O Google confirma: o Veganismo está em crescimento

É difícil acreditar quão longe a alimentação vegana chegou em tão pouco tempo. Não há muito tempo atrás, a palavra “vegan” era desconhecida para a maioria das pessoas.

Mas os tempos estão realmente a mudar, e o facto de que o veganismo atingiu o mainstream é visível um pouco por toda a parte. Há dez anos atrás teríamos sequer imaginado ouvir pessoas como Bill Clinton, Mike Tyson, e Michelle Pfeiffer a falar sobre os benefícios de optar por uma alimentação vegana? Para além da proliferação de empresas especializadas na produção de alimentos sem ovos e lacticínios, e o recente (e hilariante) sketch com Justin Timberlake a fazer de bloco de tofu dançante, a cantar no Saturday Night Live sobre a ética e diversão de uma alimentação vegana.


 
 
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Por Virginia Messina (nutricionista)

Este guia alimentar, que é basicamente igual ao de Vegan for Life, é adaptado de um outro que desenvolvi com a Dra. Reed Mangels, dietista registada, e com Vesanto Melina, Mestre e dietista registada, quando fomos co-autoras da publicação Position on Vegetarian Diets, da American Dietetic Association, em 2003. No processo de revisão por pares, 22 profissionais de nutrição viram o guia, o que significa que ele foi sujeito a controlo por especialistas vegetarianos.

Não é a palavra final acerca da criação de uma dieta vegana saudável. Não existe nenhum guia alimentar que represente uma forma única ou óptima de garantir os requisitos de nutrientes. E não é necessário seguir estas directrizes com atenção meticulosa todos os dias. Não irá desmaiar e morrer se num dia só comer quatro porções de cereais! Eu sei que, na realidade, muito poucas pessoas seguem guias alimentares, mas este foi pensado para lhe dar algumas instruções gerais para um planeamento de dieta. Qualquer conjunto de orientações para veganos tem de oferecer informação específica sobre como garantir os requisitos de cálcio, vitaminas B12 e D, e iodo, pelo que me esforcei para, no mínimo, conseguir isso.


 
 
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Por Virginia Messina (nutricionista)

Há uma longa lista de razões pelas quais as pessoas desistem de uma dieta vegana e regressam ao mundo das sandes de queijo e filetes de peixe. Podem ter desenvolvido deficiências evidentes ou vagos sintomas de saúde débil. Alguns ex-veganos dizem que tiveram depressão, problemas de raciocínio ou fadiga sem alimentos de origem animal. Outros tiveram problemas com situações sociais complicadas ou com desejos de alimentos de origem animal.


As seguintes ideias para se manter feliz e saudável com uma dieta vegana são todas questões sobre as quais já escrevi antes, mas queria condensá-las numa espécie de lista para aqueles que se esforçam por manter uma dieta vegana. Pode não abranger tudo (digam-me se acharem que devo colocar mais alguma coisa), mas acho que alcança as barreiras mais comuns relacionadas com a nutrição, assuntos práticos e apoio social. Portanto, se se encontra indeciso no seu compromisso com o veganismo, ou se se sente mal em geral, talvez uma ou mais das dicas seguintes ajudem.


 
 
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Desengane-se quem pensa que só há poucos anos os portugueses descobriram o regime vegetariano, o estilo de vida vegano ou fruti-crudívero. Em plena revolução da República, também se discutia dietética e ética à mesa, argumentava-se a favor de uma alimentação baseada em cereais, frutas e legumes, que banisse do prato a carne e o peixe. Por influência de movimentos vegetarianos que surgiam em vários países da Europa, também em Portugal, por volta de 1908, começava a 'revolução' vegetariana.

Pinhões, castanhas, frutas secas, aveia, farinhas integrais, pão de glúten, vinho sem álcool, azeite sem acidez - a lista de alimentos recomendados para uma alimentação sã era extensa. Já na altura se dava importância aos sumos naturais e se comercializavam «marmitas» para cozer legumes a vapor (as famosas panelas Hygie).

O grande impulsionador do vegetarianismo e naturismo foi o médico Amílcar de Sousa, que vivia no Porto e conseguiu mobilizar outros médicos e personalidades da burguesia portuense para «o estilo de vida natural e saudável». Em 1911 foi fundada a Sociedade Vegetariana de Portugal pelo comité que publicava a revista O Vegetariano. Uma publicação mensal que chegava a vários pontos do país e tinha assinantes no Brasil e nas colónias, especialmente em Angola e Cabo Verde. A associação chegou a registar mais de três mil sócios, corria o ano de 1914.


 
 

I. Na Pré-história.

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O vegetarianismo surgiu há cerca de 5 milhões de anos atrás. O nosso antepassado mais antigo, o Australopithecus Anamensis, alimentava-se de frutas, folhas e sementes, vivendo em perfeita harmonia com os animais mais pequenos, que poderia facilmente apanhar para se alimentar, mas a índole destes hominídeos era pacífica e assim continuou até ao Australopithecus Boesei (existiu há cerca de 2,4 – 1 milhão de anos).

Parece que o consumo de carne surgiu bastante tarde na evolução humana. Para se ter uma ideia, Colin Spencer diz que, comprimindo a nossa evolução na vida de uma pessoa de 70 anos, o consumo de carne começa apenas nos últimos nove dias [1]. A Drª Jane Goodall explica que hoje é aceite que, apesar dos primeiros humanos terem provavelmente consumido alguma carne, é muito improvável que esta tenha tido um papel importante na sua dieta. [2] Em 2005 a hipótese do ser humano caçador foi descartada pelos antropologistas Donna Hart e Robert W. Sussman no livro Man the Hunted, onde argumentam que os nossos antepassados foram presas de outros animais, e não predadores, e que foi a necessidade de escaparem que levou a habilidade intelectual e a linguagem: “Conviver com um predador grande e forte pode ter estimulado o cérebro a tornar-se maior e mais complexo uma vez que a única forma de viver é literalmente ser mais esperto que o predador” [3]. Acrescentam ainda que nenhum hominídeo caçou a grande escala antes do advento do fogo controlado e que não possuímos anatomia e fisiologia próprias para sermos carnívoros. [4] Afirmam também que o consumo de carne não poderia ter feito os cérebros humanos crescerem e que este crescimento ocorreu muito antes da carne vermelha ser parte regular da dieta humana. [5] Spencer, a propósito, notou que “deve ser claro que a carne como proteína não é muito superior aos ovos e nozes e não poderia alterar a evolução do cérebro; se fosse esse alimento milagroso teria continuado a aumentar o tamanho do cérebro humano nos anos seguintes quando quantidades muito maiores de carne foram consumidas.” [6]


 
 
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Introdução ao Relatório "A Longa Sombra da Pecuária" (Livestock's Long Shadow)
Autoria: Agência para a Alimentação e Agricultura das Nações Unidas (FAO - Food and Agriculture Organization of The United Nations)

O relatório da FAO (Agência para a Alimentação e Agricultura das Nações Unidas)refere que a produção pecuária é uma das principais causas para os problemas ambientais actuais, incluindo o aquecimento global, a degradação do solo, a poluição do ar e da água e a perda da biodiversidade. Usando uma metodologia que tem em consideração toda a cadeia produtiva, é estimado que a produção pecuária é responsável por 18% das emissões dos gases de efeito de estufa, o que constitui uma maior percentagem do que a do sector dos transportes. No entanto, o relatório diz que a potencial contribuição do sector da pecuária para resolver os problemas ambientais é igualmente grande, e que muitas das melhorias podem ser alcançadas com um custo razoável. Baseado nos dados disponíveis mais recentes, o relatório "A Longa Sombra da Pecuária" (Livestock's Long Shadow) tem em consideração o impacto directo do sector, juntamente com os efeitos ambientais do uso da terra que lhe estão subjacentes e produção das colheitas que os animais consomem. Este relatório conclui que o crescimento da população e dos salários a nível mundial, juntamente com a mudança das preferências alimentares, estão a estimular um rápido aumento da demanda de carne, leite e ovos, enquanto que a globalização está a potencializar o comércio tanto das matérias-primas como dos produtos transformados.