26 Jun E os peixes?

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Um artigo publicado no Journal of Fish Biology explica:

O estudo científico do bem-estar dos peixes está numa fase inicial em comparação com o trabalho sobre outros vertebrados, e muito daquilo que precisamos de saber ainda está por ser descoberto. Claramente que os peixes, embora sejam diferentes das aves e dos mamíferos, são, contudo, animais sofisticados, que estão longe das criaturas sem sentimentos com uma memória de 15 segundos da ideia equivocada corrente…
Defendeu-se que quanto mais longa for a esperança de vida de uma dada espécie de animal, e quanto mais sofisticado for o seu comportamento geral, maior é a necessidade de processos mentais complexos semelhantes àqueles que nos humanos dão origem à experiência consciente do sofrimento. Assim, neste contexto, é relevante que os vertebrados com vida mais longa se encontrem entre os peixes e que o comportamento dos peixes é rico, complicado e longe de ser estereotipado…
Na verdade, a literatura
[científica] mais recente sobre cognição dos peixes mostra que muitas espécies de peixes são capazes de aprendizagem e integração de múltiplas parcelas de informação, coisa que requere processos mais complexos do que a aprendizagem associativa. (1)

O sector de produção alimentar em mais rápido crescimento é a aquacultura: um em cada dois peixes comidos é agora criado num viveiro em vez de ser capturado na natureza (2). Tal como acontece com outras formas de criação de animais, as práticas usadas pelos criadores de peixes destinam-se a aumentar o lucro mas podem reduzir o bem-estar dos peixes. Preocupações relativas ao bem-estar incluem: a má qualidade da água, a agressividade, as lesões, e doenças associadas às densidades de povoamento inapropriadas; problemas de saúde resultantes da selecção para um crescimento rápido; manuseamento e deslocação para fora da água durante procedimentos de criação rotineiros; privação de alimento durante o tratamento de doenças e antes da apanha; e dor durante o abate. (1), (3)
Em Janeiro de 2011, a organização Mercy For Animals divulgou imagens captadas clandestinamente que mostram os trabalhadores numa instalação de abate no Texas a usarem alicates para arrancarem a pele a peixes vivos.

“Há, em algumas espécies de peixes, cefalópodes e crustáceos decápodes, provas de capacidade de percepção substancial, sistemas de dor e glândulas ad-renais, respostas emocionais, memórias de longo e de curto prazo, cognição complexa, diferenças individuais, engano, uso de instrumentos, e aprendizagem social.”
– Donal M. Broom, PhD, Professor de Bem-estar Animal na Universidade de Cambridge, Diseases of Aquatic Organisms, Vol. 75, No. 2, 2007

Nas zonas de pesca marinha mundiais, 87 por cento dos stocks de peixes já estão completamente explorados, sobre-explorados, ou esgotados. (4) Um artigo da UN Chronicle sobre pesca excessiva alerta que “os oceanos são desbravados ao dobro da velocidade das florestas” e que “o aumento drástico de técnicas de pesca destrutivas aniquila mamíferos marinhos e ecossistemas inteiros.” (5) Estima-se que cada ano, centenas de milhares de golfinhos, focas, e outros mamíferos marinhos morrem em redes de pesca no mundo inteiro. (6)

Veja também: relatório da NOAA sobre as “Consequências Ecológicas da Pesca” (PDF, [em inglês]): “Deseja Mercúrio no seu Sushi?”; “Apreciação de bem-estar baseada na ciência: animais aquáticos” (PDF, [em inglês]) da Organização Mundial pela Saúde Animal (OIE); USDA ERS Aquaculture Outlook report for 2006
 
Notas
(1) “Current issues in fish welfare ,” J Fish Biol, 2006; 68: 332–72.
(2) FAO Aquaculture Newsletter, No. 45, August 2010.
(3) Paul J. Ashley, “Fish welfare: Current issues in aquacultureAppl Anim Behav Sci, 2007 May;104(3):199–235.
(4) Food and Agriculture Organization of the United Nations, The State of World Fisheries and Aquaculture 2012 (Rome, 2012).
(5) Udy Bell, “Overfishing,” UN Chronicle, 2004; 41(2): 17.
(6) Andrew J. Read et al., “Bycatch of Marine Mammals in U.S. and Global FisheriesConserv Biol, 2006 Feb;20(1): 163–69.

Tradução: Nuno Metello
Original traduzido daqui
Fotografia de David Falconer
Nota: os animais aquáticos são, de longe, os animais mortos em maior quantidade pelo ser humano. Saiba mais: http://www.fishfeel.org/ 



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