19 Dez Citador Vegetariano

 

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Uma compilação de citações e pensamentos sobre vegetarianismo e respeito pelos animais ao longo dos tempos

Associação Vegetariana Portuguesa, 2015
Nota: Nem todos os autores das citações foram vegetarianos. A linguagem poderá conter algumas expressões aos nossos olhos desadequadas (e.g. “animais inferiores”), no entanto, deverá ter-se em conta a época em que foram escritas. Notámos que muitas compilações de citações sobre vegetarianismo e direitos dos animais que há na internet (a até em alguns livros) contêm citações que não são, na verdade, da autoria das figuras históricas a que são atribuídas (como as famosas citações atribuídas a Leonardo da Vinci e a Abraham Lincoln). Tendo isso em consideração, procurámos incluir aqui apenas aquelas cuja autenticidade conseguimos verificar.

 

“…antigamente
os sacrifícios se faziam sem efusão de sangue, pela sábia instituição de Numa,
que lhes advertia e pregava que esse deus dos confins devia ser puro e limpo de
sangue e de crime, como testemunho da justiça e guarda da paz.”

Plutarco, Vida de Numa Pompílio, (XXVIII)

 

“É que varões não medíocres, mas insignes e doutos, Pitágoras e Empédocles, declararam que só existe uma condição jurídica para todos os seres animados e proclamaram que penas inexpiáveis impendem sobre aqueles que tenham maltratado um animal.”
Cícero (106-43 a.C.), Tratado da República, III, 3.19 (tradução de Francisco de Oliveira, Circulo de Leitores/Temas e Debates, 2008).

“…abstendo-se
esses povos da carne como se fosse impiedoso comê-la ou com o se o sangue
maculasse os altares dos deuses; em substituição a isto, os homens que, como
nós, existiam então viviam o que é chamado de “vida órfica“,
sustentando-se totalmente de alimento de seres inanimados e abstendo- se
totalmente de alimento oriundo de seres animados.”

Platão (ca. 429-347 a.C.), “As Leis”. Foto: Marie-Lan Lguyen.

“Alguém,
no entanto, talvez possa dizer que nós também tiramos algo às plantas [quando
as comemos e usamos em sacrifícios aos Deuses]. Mas a ablação não é parecida,
uma vez que não tiramos isto daqueles que não têm vontade que o façamos. Pois,
se negligenciássemos colhe-los, elas deixariam os seus frutos caírem espontaneamente.
A colheita dos frutos, também não é acompanhada pela destruição das plantas,
como acontece quando os animais perdem o seu princípio vital.”

Teofrasto (ca. 371 a.C.-ca.287 a.C.)
provavelmente em “Sobre a piedade”,
conforme citado por Porfírio na sua obra “Da
Abstinência do Alimento Animal”
, II, 13. A partir da tradução de Thomas
Taylor, na edição de Esmé Wynne-Tyson.

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Ó mortais, parai de poluir os vossos corpos com alimentos
abomináveis! Há searas, há os frutos que vergam os ramos
com o seu peso, e os cachos de uvas inchados nas vinhas;
há vegetais deliciosos e aqueles que podem ficar agradáveis
e mais tenros pelo fogo. […]
A terra pródiga dá riquezas e fartura de alimentos gentis,
e oferece iguarias sem necessitar de matança e de sangue. […]
Oh! que medonho crime, enterrar vísceras nas vísceras,
engordar o sôfrego corpo amontoando nele outro corpo,
um ser vivo viver à custa da morte de outro ser vivo!
E entre tantos recursos que a terra, melhor das mães,
produz, nada te contenta senão mastigar com cruel dente
feridas horríveis e trazer de volta os hábitos dos Ciclopes?
Nem poderias acalmar a fome da tua voraz e imoral
pança, sem que destruas a vida de uma outra criatura?
– Ovídio (43 a.C- 17/18 d.C), Metamorfoses, Livro XV, O discurso de Pitágoras. (Tradução de Paulo Farmhouse Alberto, Livros Cotovia, 2007, pp. 366-367.)

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“Vê
bem a mistura de iguarias que o nosso luxo gastronómico – e para tal devasta a
terra e o mar ! – consegue fazer passar por um só esófago!”

Lúcio Aneu Séneca (ca.4 a.C. – 65 d.C.),
Cartas a Lucílio”, 95.19. (tradução
de J. A. Segurado Campos, Fundação Calouste Gulbenkian, 2009).

“Sótion
costumava explicar as razões por que Pitágoras, e tarde Sêxtio, se recusavam a
comer carne de animais. As razões de um de outro eram distintas, mas ambas
dignas de admiração. Sêxtio entendia que o homem dispõe de alimentos
suficientes sem precisar de causar mortes; além disso, quando se cria o prazer
de dilacerar a carne dos animais, facilmente a crueldade se torna num hábito. […] Pitágoras, por seu lado, afirmava o parentesco absoluto entre todos os seres
vivos, a ligação entre todas as almas e a respectiva transmigração de corpo para
corpo.”


Lúcio Aneu Séneca, “Cartas a Lucílio”, 108.17-19.

 


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“Aos homens,
imperador, a terra fez crescer tudo. E os que desejam viver em paz com os
animais não necessitam nada, pois há frutos da terra, para nutrição de seus
filhos, que são colhidos e outros que são obtidos com o arado, de acordo com as
estações. Mas os homens, como se não tivessem ouvido a terra, afinaram sua faca
contra os animais em busca de vestimentas e alimentos.”
Apolónio de Tiana (ca. 15- ca.100),
segundo Filóstrato, na “Vida de Apolónio de Tiana”, VIII, 7, 4 (passagem
no artigo “O vegetarianismo do mago Apolônio
de Tiana como exercício espiritual
, de Semíramis Corsi Silva, no “Philía: Jornal Informativo de História
Antiga
”, Nº 46).

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“Perguntas-me
por que motivos Pitágoras se absteve de se alimentar com a carne dos animais.
Pela minha parte, pasmo de que espécie de sentimento, espírito ou razão estava
possuído aquele que primeiro poluiu a sua boca com sangue e consentiu que os
seus lábios tocassem a carne dum ser assassinado, que espalhou sobre a sua mesa
os membros despedaçados de corpos mortos e pediu como alimento quotidiano e
prato delicado o que há pouco era um ser dotado de movimento, de percepção e de
voz?…
Que luta pela existência ou que excitada loucura incitou a ensopar em sangue as tuas mãos, a ti que tens sempre abundância de todas as coisas necessárias para viveres? Porque desmentes a terra como se ela fosse incapaz de te alimentar e nutrir? Porque atormentas Ceres que humaniza, e desonras as doces e suaves dádivas de Baco, como se não tivesses nelas o bastante? Não te envergonhas de misturar o assassínio e o sangue aos seus frutos benéficos?”
Plutarco (ca. 46-120), “Moralia”, Sobre o consumo de carne, tradução de Jaime de Magalhães Lima.



 

“Uma
aranha toda se ufana de ter capturado uma mosca; aquele homem, uma lebre;
outro, um robalo à linha; outro, um porco-bravo na ratoeira; aqueles, ursos;
aqueloutro, sármatas. Ora toda essa populaça, bem vistas as coisas, em que
difere dos salteadores?”

Marco Aurélio (121-180), Pensamentos, X, 10. (Tradução de João
Maia, Biblioteca Editores Independentes, 2008, p. 121.)

 

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Deixo de insistir no facto de que, se nos
pusermos na dependência do argumento da necessidade ou da utilidade (do
carnivorismo), não podemos deixar de admitir por implicação que nós mesmos
fomos criados só por causa de certos animais destruidores, como os crocodilos,
as serpentes e outros monstros, porque não recebemos deles o menor benefício.
Pelo contrário, são eles que apanham, destroem e devoram os homens que
encontram – fazendo o que não procedem de modo algum menos cruelmente do que
nós. De resto, eles são assim selvagens por necessidade e fome; e nós por
insolente lascívia e luxuriosos prazeres, divertindo-nos, como usamos no circo
e nos morticínios da caça. Em tais acções fortificamos em nós uma natureza
bárbara e brutal que torna os homens insensíveis ao sentimento da piedade e
compaixão. Aqueles que primeiro perpetraram essas iniquidades fatalmente
entorpeceram a parte mais importante da alma. Por isso é que os discípulos de
Pitágoras consideram a bondade e a graça com os animais inferiores um exercício
de filantropia e graça
.”

Porfírio (ca. 234-ca.304/309), Da Abstinência do Alimento Animal, (tradução de Jaime de Magalhães Lima)


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“Sairá
um grande ruído das sepulturas dos que tiveram má e violenta morte.”

(Da
boca do homem que é sepultura)

Leonardo da Vinci (1452-1519), Bestiário, Fábulas e outros escritos (Tradução
de José Colaço Barreiros, Biblioteca Editores Independentes, 2007), p. 82.

“Estes
não terão fim na sua malignidade; pelos ferozes membros destes cairão por terra
grande parte das árvores das grandes florestas do universo; e como serão
nutridos, o alimento dos seus desejos será dar morte e ânsia e fadigas e
terrores e fuga a toda e qualquer coisa animada. E pela sua desmedida soberba
les quererão erguer-se até ao céu, mas o peso enorme dos seus braços
mantê-los-á em baixo. Nada ficará sobre a terra, ou sob a terra e a água, que não
seja perseguida, retirada ou estragada; e a de um país levada para outro; e o
corpo destes se fará sepultura e trânsito de todos os seus já mortos corpos
animados.

Ó
mundo, porque não te abres? E precipita nas altas covas dos teus grandes
abismos e grutas e não mostres mais ao céu tão impiedoso e cruel monstro!”

(Da
crueldade do homem)
Leonardo da Vinci, Ibid., pp. 83-84.

 


“Tinha grande apreço por toda a espécie de animais, que tratava com grande amor e paciência. Quando, por exemplo, passava em sítios onde vendiam pássaros, tirava-os muitas vezes da gaiola com as suas mãos e, tendo pago o preço pedido pelo vendedor, deixava-os voar, restituindo-lhes assim a liberdade perdida.”
Giorgio Vasari (1511-1574), sobre Leonardo da Vinci, em
As Vidas dos Artistas” (tradução de
Victor Hugo Antunes em “Leonardo da
Vinci: O voo da mente
” de Charles Nicholl, Bertrand Editora, 2006, p. 62).
“A carne humana e a carne dos animais são idênticas e o seu sangue carmesim é também o mesmo.”
Kabīr (ca. 1440- ca. 1518) (A Translation of Kabīr’s Complete Bījak, trans. Prem Chand, Calcutta, 1911)

“Com
esta assídua perseguição às feras de que se alimentam com gosto, acabam por
degenerar em feras embora julguem levar uma vida régia.”

Erasmo de Roterdão (1466-1536), “Elogio da Loucura” (1511), tradução de
Álvaro Ribeiro, Guimarães Editores.
“Os
seus sacrifícios não são cruentos, pois pensam que Deus não se compraz no
sangue e na morte, pois deu a vida às criaturas para que a vivessem.”
Thomas More (1478-1535),
Utopia” (1516),
Tradução de Maria Isabel Gonçalves Tomás, Publicações Europa-América.

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“Quanto
a mim, nunca pude sequer ver perseguirem e matarem um inocente animal, sem
defesa, e do qual nada temos a recear, como é o caso da caça ao veado, o qual,
quando sem fôlego e sem forças, e sem mais possibilidade de fuga, se rende e
como que implora o nosso perdão com lágrimas nos olhos: “gemendo, ensangüentado,
pede misericórdia” [Virgílio]. Um tal espetáculo sempre me pareceu muito
desagradável. Se pego algum animal vivo, dou-lhe liberdade. O mesmo fazia
Pitágoras que comprava peixes e pássaros para os soltar: “Foi, creio, como o
sangue dos animais que o ferro se tingiu pela primeira vez.” [Ovídio]. Os que
são sanguinários com os bichos, revelam uma natureza propensa á crueldade.
Quando se acostumaram em Roma com os espetáculos de matanças de animais,
passaram aos homens e aos gladiadores.”

Michel de Montaigne (1533-1592),
Ensaios”,
Livro Segundo, capítulo XI, “Da crueldade”,
tradução de Sérgio Milliet, São Paulo, Nova Cultural, 1991.

“Essa
falha que impede nossa comunicação recíproca tanto pode ser atribuída a nós
como a eles, que consideramos inferiores. Está ainda por estabelecer a quem
cabe a culpa de não nos entendermos, pois se não penetramos o pensamento dos
animais, eles tampouco penetram os nossos e podem assim nos achar tão irracionais
quanto nós os achamos. […]
Disse tudo isso para estabelecer a semelhança
que há entre os seres da criação e recolocarmo-nos entre as demais criaturas.
Não estamos acima nem abaixo delas. Tudo o que existe sob os céus esta sujeito
á mesma lei e às mesmas condições: “tudo se prende ao destino” [Lucrécio]. Há
diferenças, ordens e graus diversos, mas de um modo geral os caracteres
essenciais são os mesmos: “cada coisa viva tem a sua organização própria, e
todas conservam as diferenças estabelecidas pela natureza” [Lucrécio]. É
preciso limitar o homem e coloca-lo entre as barreiras dessa ordem universal.
” […]
Eis por que eu não digo que não haja razão para
pensar que os animais fazem instintivamente e determinadamente o que nós mesmos
fazemos por vontade e intervenção própria. Os mesmos resultados decorrem de
idênticas faculdades, e quanto mais ricos os resultados mais ricas as
faculdades, o que nos leva a concluir que raciocínios e meios idênticos aos
nossos atos acompanham os atos dos animais, os quais têm, ocasionalmente,
faculdades superiores às nossas. Por que imaginar que neles a ação é maquinal e
em nós não? […] Os habitantes da Trácia, quando têm que atravessar um rio
gelado, servem-se de uma raposa que caminha á sua frente. Vê-se o animal
aproximar o ouvido do gelo, até toca-lo para verificar se a água corre perto ou
longe. Verificada a espessura do gelo, avança ou recua. Não somos levados a
pensar que em seu cérebro se observa um processo racional semelhante ao que se
processaria no nosso? […] Atribuir o acto da raposa á acuidade de ouvido, sem
reflexão de sua parte, é uma quimera que o nosso espírito não pode aceitar.
Igual opinião devem merecer todas as invenções e astúcias a que recorrem os
bichos para se verem livres da nossa perseguição. Se em prol da nossa
superioridade, quisermos argumentar com o facto de os aprisionarmos,
emprega-los á vontade a nosso serviço, direi que o mesmo podemos fazer com
outros homens.”

Michel de Montaigne,
Ensaios”,
Livro Segundo, capítulo XII, “Apologia de
Raymond Sebond

“Vi
outrora homens vindos por mar de longínquos países. Como não compreendíamos sua
língua e seus costumes, suas atitudes e suas vestimentas não se assemelhavam
aos nossos, consideramo-los selvagens e estúpidos. Atribuímos à sua estupidez o
fato de não falarem francês e se calarem, de ignorarem o beija-mão, nossas
reverências requintadas, nossas maneiras, tudo isso a que, sob pena de
incorreção, desejaríamos se moldasse toda a humanidade. Condenamos tudo o que
nos parece estranho e também o que não compreendemos. E por esse prisma
julgamos os animais.”


Michel de Montaigne,
Ibid.


 

“Rei
Henrique
[…] Tu nunca os prejudicaste, nem a ninguém causaste prejuízo; mas assim como o magarefe
tira o vitelo do estábulo, amarra o infeliz, e lhe bate, quando intenta fugir,
ao ser levado ao sangrento matadouro, assim, sem remorsos, o trouxeram eles
aqui. E assim como a vaca corre, amorosa, para um lado e para o outro, olhando
para o caminho por onde o seu inocente filho foi, e nada pode senão mugir pela
perda do seu querido, assim eu também deploro a situação do bom Glocester com
as tristes lágrimas da desesperança; e com os olhos marejados sigo-o com a
vista, mas impossibilitado de fazer-lhe bem – tão poderosos são os seus
encarniçados inimigos.”

William Shakespeare (1564-1616), “O Rei Henrique VI”, acto terceiro, (tradução
de Henrique Braga, Porto: Lello & Irmão, 1955).

 

“O
Duque
Pois
bem, e se fôssemos matar alguma caça?
Contudo,
tenho pena de ver esses inocentes
Malhados,
esses burgueses das cidades florestais,
No
seu próprio terreno, assassinados por setas,
Que
sujam com sangue os seus bonitos flancos arredondados.”

William Shakespeare, “Como lhe aprouver”, acto segundo,
(tradução de Henrique Braga, Porto: Lello & Irmão, 1955).
“Tudo
o que nos é necessário como alimento, tudo o que deve refrescar-nos, e dar-nos
prazer, nos é oferecido abundantemente nesse armazém inesgotável do reino
vegetal.”

John Ray (1627-1705), em “Acetaria” (1699) de John Evelyn (tradução
em O Vegetariano, vol. I, p. 134).


“Priva-te sempre daqueles alimentos que não possam ser obtidos sem violência e opressão.”
Thomas Tryon (1634-1703), “Wisdom’s Dictates” (1691)

“Muitas vezes pensei que, se não fosse pela tirania que o costume exerce em nós, os homens duma natureza medianamente boa nunca se reconciliariam com a acção de matarem tantos animais para seu sustento quotidiano, enquanto a liberalidade da terra tão abundantemente lhes faculta as delicadas variedades de vegetais.”
Bernard de Mandeville (1670-1733), The Fable of the Bees, 1714, (tradução de Jaime de Magalhães Lima)

 

“Não
consigo encontrar nenhuma diferença, com base apenas na razão e na equidade,
entre a alimentação com carne humana e a alimentação com carne animal,
excepto o costume e o exemplo.”

George Cheyne (1671-1743), Essay
on Regimen
” (1740).

 

 

“As lagostas assadas vivas, os porcos fustigados até à morte, as aves
amanhadas, são testemunho da nossa luxúria. Aqueles que, na frase de Séneca,
repartem a vida entre uma consciência ambiciosa e um estômago enauseado, têm a
justa recompensa da sua gula nas doenças que ela acarreta. Porque os selvagens
humanos, como os outros animais bravios, encontram ratoeiras e venenos nas
provisões da vida e enganados pelo apetite correm à própria destruição. Não
conheço nada mais repelente do que o aspecto duma das suas cozinhas coberta de
sangue onde se ouvem os gritos dos seres que expiram em torturas. Dá-nos a
imagem da caverna dum gigante nos romances, juncada de cabeças dispersas e
membros lacerados daqueles que a sua crueldade chacinou.”
Alexander Pope (1688-1744), ”The Guardian”, No.
61, Thursday, 1713.
(tradução
de Jaime de Magalhães Lima)

“A Franga: Que horrendos patifes! Estou
prestes a desfalecer. Como? Furarem-me os olhos! Cortarem-me o pescoço!
Assarem-me e comerem-me! Esses celerados não têm um pingo de remorsos?
O Frango: Não, minha amiga; os dois abades de
que te falei diziam que os homens nunca têm remorsos das coisas que têm o
hábito de fazer.
A Franga: A detestável corja! Aposto que
quando nos devoram ainda se põem a rir e a contar ditos anedóticos, como se
nada fosse.”
Voltaire
(1694-1778), “Diálogo da frango e da
franga
” (1763), tradução de Susana Pires, Estrofes & Versos, 2010.

“Que néscio é afirmar que os animais são máquinas
privados do conhecimento e do sentimento, agindo sempre de igual modo, e que não
aprendem nada, não se aperfeiçoam, etc.!

Pode lá ser!… Então esse pardalico que
constrói o ninho em semi-círculo quando o prende a uma parede, que o constrói
num quarto de círculo quando o faz num ângulo e em círculo num ramo de árvore –
faz tudo de igual modo? O cão de caça que ensinaste a obedecer-te durante três
meses, não estará a saber mais ao cabo desse período do que sabia no inicio das
lições? O canário a quem tentas ensinar uma melodia, repete-a logo no mesmo
instante, ou não levarás um certo tempo a fazer-lha decorar? E não reparaste
como se engana, com frequência, e vai corrigindo depois?”

Voltaire, “Dicionário filosófico
(1764), tradução de João Lopes Alves e Bruno da Ponte, Presença, 1966.


Qual é o bárbaro que poderia
assar um cordeiro, se esse cordeiro nos conjurasse por um discurso comovedor a
que não fôssemos ao mesmo tempo assassinos e antropófagos?
Voltaire,
Dicionário filosófico”, tradução de Jaime
de Magalhães Lima.
“Ah! Foi porque os homens, infelizmente, acabaram por adquirir o hábito de nos comer, em vez de conversar e de se instruir connosco. Bárbaros! Não deviam estar convencidos de que, uma vez que temos os mesmos órgãos que eles, os mesmos sentimentos, as mesmas necessidades, os mesmos desejos, tínhamos aquilo a que se chama uma alma, assim como eles; que éramos seus irmãos […]? […]Os homens alimentados de carne animal, e cuja sede é saciada por bebidas fortes, têm todos o sangue azedo e adusto que os deixa loucos de cem maneiras diferentes. A sua principal demência é o furor de derramar o sangue dos seus próprios irmãos, e devastar as planícies férteis para reinar sobre cemitérios.”
Voltaire, “A Princesa da Babilônia” (1767), Tradução de Renata Cordeiro, Landy Editora, 2006, pp. 42-43, 45.
“[…] a sala era asseada, cómoda, e bem ornada; os convivas alegres; o ouro e a prata brilhavam sobre os aparadores; o espírito, os bons pensamentos, a alegria, a feliz concepção, e a graça animavam a conversação; porém nas cozinhas corriam o sangue e a gordura; as peles dos quadrúpedes, as penas das aves, e as suas entranhas confusamente amontoadas oprimiam o espírito, e espalhavam a infecção.”
Voltaire, “Cartas Indianas ou correspondência entre Amabed, Adaté, e o grão-brama Shastasid” (1769), Lisboa, 1835, p. 88.

“…
Despojar os animais das suas vidas, de forma a transforma-los em comida,
contraria imensamente os princípios de benevolência e compaixão.”
David Hartley (1705-1757), “Observations
on man
(1749)
“Os animais que comeis não são os que comem os outros; vós não comeis esses animais carnívoros, vós os imitais; só tendes fome de bichos inocentes que não fazem mal a ninguém, que se apegam a vós, que vos servem e que, devorais como paga dos seus serviços.”Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), citando livremente Plutarco, (“Emílio”, tradução de Sérgio Milliet, São Paulo, 1968).

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Mas no entanto (consegues acreditar?) eu tenho visto o próprio homem que se gaba da sua ternura, a devorar de uma só vez a carne de seis animais diferentes num fricassé. Estranha contradição de conduta! Têm piedade, e comem os objectos da sua compaixão!
Oliver Goldsmith (1728-1774),Letters from a Citizen of the World to His Friends in the East

“Que vezes, à sombra daqueles rochedos, participei com elas de vossos manjares campestres, que não custaram a vida a animal algum!”
Jacques-Henri Bernardim de Saint-Pierre (1737-1814), “Paulo e Virgínia”, tradução de Bocage

“A ovelha não foi mais “criada” para o homem, do que o homem foi para o tigre.”
Joseph Ritson (1752-1803), An essay on abstinence from animal food, as a moral duty (1802), edited by Sir Richard Phillips.

“Todo o alimento são é colhido sem rede nem armadilha.”

William Blake (1757-1827), “A União do céu e do inferno”, tradução de João Ferreira Duarte, Relógio d’Água, 1991, p. 26.

“Ele acreditava ser um pecado matar qualquer criatura para alimento, e pensava que tudo o que era necessário para o sustento humano era produzido pelo solo.”
– Numa biografia de Johnny Appleseed (1774-1845) escrita por W. D. Haley (1871)


Quem pode contestar a inumanidade do desporto da caça – de perseguir uma pobre criatura indefesa por mero divertimento, até esta ficar exausta de terror e fatiga, e aí fazer com que ela seja rasgada aos bocados por um grupo de cães? De que tipo de instrução podem os homens, e até as mulheres, absorver princípios como estes? Como é possível que o possam justificar? E em que pode o seu prazer nisso consistir? Não será somente na agonia que produzem no animal? Eles irão alegar que não, e tentarão fazer-nos acreditar no mesmo – que é meramente na perseguição. Mas qual é o objectivo da perseguição deles? Haverá outro para além de atormentar e destruir?
Lewis Gompertz (1779-1861),Moral Inquiries on the Situation of Man and of Brutes” (1824), tradução: Nuno Metello (AVP).

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“Minha mãe estava convencida, assim como foi sempre a minha convicção, de que matar os animais para nos sustentarmos com a sua carne e o seu sangue é uma das mais deploráveis e mais vergonhosas enfermidades da condição humana; que é uma dessas maldições lançadas sobre o homem pelo endurecimento da sua própria perversidade. Ela acreditava, assim como eu, que esses hábitos endureciam o coração… essas imolações, esses apetites de sangue, essa vista de carnes palpitantes, só servem para tornar o coração mais feroz. Ela julgava, assim como eu, que esse sustento mais suculento e mais energético na aparência, contém em si princípios irritantes e pútridos que agitam o sangue e abreviam os dias do homem. Ela citava, como prova das suas afirmações, os povos da India… as raças fortes e sadias dos povos pastores… e mesmo as populações trabalhadoras dos campos que não comem carne dez meses na vida.
Um dia minha mãe, indo à cidade, levou-me ao pátio de um matadouro. Vi homens com os braços nus matando violentamente bois e carneiros, despedaçando-lhes os membros ainda palpitantes. Regatos de sangue fumegavam aqui e ali pelo pavimento: uma profunda piedade, misturada de horror, se apoderou de mim e pedi para sair imediatamente dali.
A ideia destas horríveis cenas e degolamentos, preliminares obrigados de um desses pratos de carne que eu via servir na mesa, fez-me repugnar o sustento animal e ter horror aos carniceiros… foi-me sempre difícil deixar de ver num carniceiro alguma coisa do carrasco.”
Alphonse de Lamartine (1790-1869), “Les Confidences”, 1854 (tradução em O Vegetariano, volume I, p. 153.)

“As regiões mais férteis do globo habitável
são agora cultivadas pelo homem para alimentar animais, a um atraso e
desperdício de alimentos absolutamente impossíveis de calcular.”

Percy Bysshe Shelley (1792-1822), “A Vindication of Natural Diet” (1813)
“A minha alimentação não é a dos homens. Não tenho
de matar cordeiros e cabras para saciar o meu apetite; as glandes e as bagas
bastam-me.”
Mary
Shelley
(1797-1851), “Frankenstein
(1818), capítulo XVII (tradução de Mário Martins de Carvalho, Editorial Sol 90,
2006).
“Quanto tempo levará após termos começado a olhar
com indiferença para a dor e para o sofrimento nos animais, para começarmos a
ser menos afectados do que éramos antes pelo sofrimento humano?”

Dr. William A. Alcott (1798-1859), “Vegetable Diet” (1859), tradução: Nuno Metello.
“Em especial, aqueles que apreendem a
sabedoria mais profunda e conservam durante a sua vida o gosto por elegantes
estudos e demandas devem abster-se da carne, venerando a justiça pela qual os
animais clamam às mãos do homem e não os massacrando por causa de comida ou
lucro.”

Amos
Bronson Alcott
(1799-1888), Tablets
(1879), tradução: Ricardo Morais-Pequeno (AVP).
“Nas relações dos humanos com os animais, com as flores, com os objectos da Criação, existe toda uma grande ética que ainda não se vislumbra bem, mas que acabará por despontar à luz do dia e que será o corolário e o complemento da ética humana. […] Sem dúvida que foi preciso primeiro civilizar o homem em relação aos seus companheiros. […] Mas é também preciso civilizar os seres humanos em relação à natureza. Aí, tudo está por fazer.”
Victor Hugo (1802-1885),Alpes et Pyrénées”, pp. 180-181. (Tradução de Pedro Vidal no “Manifesto dos Animais” de Marc Bekoff).

 

“A fundação para a
verdadeira cultura – um completo civilizar e refinar da humanidade – é
claramente impossível enquanto um sistema organizado de assassinato e de
consumo de cadáveres prevalecer por costume aceite.”
– Georg Friedrich Daumer (1800-1875), (citado por Howard Williams, em “The Ethics
of Diet
), tradução: Nuno Metello.

“Mas mesmo aqueles que não tomam parte na matança, pelo contrário, nem sequer a vêem, estão conscientes de que os pratos de carne sobre as suas mesas vêm do matadouro, e que os seus banquetes e o sofrimento dos outros estão intimamente ligados.”
Gustav Struve (1805-1870), “Pflanzenkost, die Grundlage einer Neuen Weltanschauung”, 1869 (citado por Williams, em Ibid.), tradução: Nuno Metello.

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“Talvez eles digam às crianças que elas não devem ser cruéis nem para com os “Animais” nem para com os seres humanos mais fracos que elas. Mas quando a criança entra dentro da cozinha, ela vê Pombos, Galinhas e Gansos chacinados e depenados; quando ela vai para as ruas ela vê animais pendurados com os corpos sujos de sangue, os pés cortados e as cabeças torcidas para trás. Se a criança prosseguir ainda mais, ela chega ao matadouro, no qual inofensivos e úteis seres de todos os tipos estão a ser chacinados ou estrangulados. Não iremos tratar aqui extensamente dos barbarismos ligados à carnificina de animais; mas da mesma maneira que alguns humanos abusam dos seus poderes superiores em relação às outras espécies, geralmente também fazem com que a sua tirania seja sentida pelos seres humanos mais fracos que estão em seu poder.
Qual é a utilidade de toda a conversa bonita sobre moralidade, em contraste com actos de barbarismo e de imoralidade que lhes são mostrados por todos os lados?”
Gustav Struve (1805-1870), “Das Seelenleben; oder die Naturgeschichte des Menschen”, 1869 (citado por Williams, em Ibid.), tradução: Nuno Metello.

“Diz-me, conseguias, com as tuas próprias mãos, matar hoje um doce Cordeiro, uma delicada Pomba, com quem tinhas talvez estado a brincar ontem? Respondes – Não? Não te atreves a dizer que conseguias. Se respondesses sim, irias, de facto, desvendar um coração duro. Mas porque não conseguias? Porque é que te causou angústia a visão de um animal indefeso conduzido para o abate? Porque sentiste, no mais intimo da tua alma, que é errado, que é injusto matar um ser indefeso e inocente!”
Gustav Struve, Mandaras’ Wanderungen, 1845 (citado por Williams, em Ibid.), tradução: Ricardo Morais-Pequeno.

“Tal como, nos nossos dias, expor crianças ao perigo, os combates de gladiadores, a tortura de prisioneiros, e outras atrocidades são consideradas escandalosas e vergonhosas, embora nos tempos remotos se acreditasse que fossem bastante justificáveis e correctas, também no futuro o assassinato de animais, para se alimentar dos seus corpos, será declarado imoral e indefensável.”
Wilhelm Zimmermann, The Way to Paradise” (citado por Williams, em Ibid.), tradução: Nuno Metello.

“A forma como uma nação, na sua totalidade trata as outras espécies, é uma das principais formas de avaliar a sua civilização”
David Friedrich Strauss (1808-1874) (citado por Williams, em Ibid.)


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Acabaram
de jantar e, por muito escrupulosamente que o matadouro esteja oculto na
graciosa distância dos quilómetros, há uma cumplicidade.

Ralph Waldo Emerson (1803-1882), The Conduct of Life”, (tradução
de Pedro Vidal, no “Manifesto dos Animais” de Marc Bekoff).


“Não
tenho dúvidas de que faz parte do destino da raça humana, no seu processo de
evolução gradual, deixar de comer animais, tal como as tribos selvagens deixaram
de se comer umas às outras quando entraram em contacto com os mais civilizados.”

Henry David Thoreau (1817-1862),Walden”, capítulo
11.

“Sem dúvida o homem que matou pela primeira vez um boi foi tido como assassino; talvez tenha sido enforcado; se houvesse sido julgado por bois, sem dúvida teria sofrido essa pena, por certo merecida, se qualquer assassino a merece. Ide ao mercado de carne num sábado à noite e vede as chusmas de bípedes vivos olhando as longas fileiras de quadrúpedes mortos. Tal espectáculo não acorda o canibal? Canibal? quem não é canibal? Digo-vos que será mais tolerável o Dia do Juízo para o fidjiano que salgou um missionário magro na despensa, para se prevenir contra a fome à vista, do que para ti, meu civilizado e esclarecido guloso, que prendes os gansos ao chão e regalas-te com os seus fígados inchados em teu paté de foie gras.”
– Herman Melville (1819-1891), Moby Dick, volume I, capítulo LXV (Tradução de Péricles Eugênio da Silva Ramos, Abril Cultural, 1980, p. 363)

“A minha doutrina é esta: se nós vemos coisas erradas ou crueldades, as
quais temos o poder de evitar e nada fazemos, nós somos coniventes.”
Anna Sewell (1820-1878), “Black Beauty” (1877)


 

“Seria possível comer carne se isto pudesse ser justificado por qualquer
consideração mais séria
.
Mas não pode; comer carne é simplesmente uma coisa má, que
existe sem qualquer tipo de justificativa.”
Leo Tolstói (1828-1910), “Pensamentos para uma vida
feliz: Calendário da Sabedoria
” (Editora: Prestígio)


“Se não fosse já aceito cegamente, como
parte de nossos costumes e tradições, como poderia uma pessoa sensível
aceitar o pensamento de que, a fim de nos alimentarmos, nós
deveríamos matar um número tão grande de animais
, apesar de nossa terra
nos oferecer tesouros tão variados de vegetais
?”
Leo Tolstói, Ibid.

 


“O carneiro
vivo estava ali deitado, tão silencioso quanto o morto e inflado, a não ser por
sacudir nervosamente o rabo curto e os lados a se alçarem com mais rapidez que
de costume. O soldado baixou gentilmente, sem esforço, a cabeça levantada; o
açougueiro, sem parar de conversar, agarrou com a mão esquerda a cabeça do
carneiro e cortou-lhe a garganta. O animal tremeu, e o rabinho endureceu e
parou de abanar. O camarada, enquanto esperava o sangue correr, começou a
reacender o seu cigarro, que se apagara. O sangue corria, e o carneiro começou
a agonizar. A conversa continuou sem a mínima interrupção. Era horrivelmente
revoltante.”
Leo Tolstói, “O Primeiro Passo(originalmente
escrito como prefácio para a versão russa do livro “The Ethics of Diet”,
de Howard Williams, 1892). Tradução no Sítio Veg.

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“Cada
um de nós, especialmente aqueles que viveram em um canto da província, muito
longe das cidades vulgares ordinárias, onde todas as coisas estão metodicamente
classificadas e disfarçadas, – cada um de nós tem visto alguma coisa dessas
barbaridades cometidas pelos que comem carne contra os animais que eles comem.
Não há necessidade de ir a nenhuma Porcopolis da América do Norte ou a uma saladera
de La Plata, para contemplar os horrores dos massacres que constituem a
condição primária do nosso alimento quotidiano. Mas estas impressões gastam-se
com o tempo; cedem perante a perniciosa influência da nossa educação de todos
os dias, que tende a arrastar o indivíduo para a mediocridade, e o despoja de
quanto concorra para o tornar uma personalidade original. Pais, mestres, por ofício
ou por amizade, doutores, para não falar desta poderosa individualidade que
chamamos toda a gente, todos trabalham juntos para endurecerem o
carácter da criança com respeito a este «alimento de quatro pés» que, todavia,
ama como nós amamos, sente como nós sentimos, e sob a nossa influência progride
ou retrocede como nós… Não é uma digressão mencionar os horrores da guerra em
conjunção com o massacre dos gados e os banquetes carnívoros. A dieta dos
indivíduos corresponde exactamente aos seus modos. O sangue pede sangue.”

Élisée Reclus (1830-1905),On Vegetarianism(1901), tradução de Jaime
de Magalhães Lima.

“Eu mesma criei os animaizinhos, eles são como meus filhos. Ora eu não posso comer os meus próprios filhos!”
– Personagem do conto Figura (1889) de Nikolai Leskov (1831-1895)

 


 

“Não
faço nenhuma declaração exagerada nem fantasiosa em prol do vegetarianismo. Ele
não é, como afirmaram alguns, uma panacéia dos males humanos; é algo bem mais
racional, parte essencial do moderno movimento humanitário, que não pode ter
verdadeiro avanço sem ele.

O
vegetarianismo é a dieta do futuro, assim como a carne é a dieta do passado.
Naquele contraste espantoso e comum, uma loja de frutas ao lado de um açougue,
temos uma lição objetiva e importantíssima.”


Henry Stephens Salt (1851-1939), The Humanities of Diet (1914), tradução
retirada do Sítio Veg.

 

“As senhoras
delicadas que devoram bifes sangrentos gostariam de ver os seus filhos a
trabalharem como carniceiros? Se não, então não têm o direito de colocar esta
tarefa no filho de outra mulher. Não temos o direito de impor num cidadão nosso
semelhante um trabalho que nós próprios deveríamos declinar fazer.”
C.
W. Leadbeater
(1854-1934), Vegetarianism
and Occultism”
(1913)

 

“É
certamente preferível produzir vegetais, e penso, por isso, que o
vegetarianismo é um louvável abandono de um hábito bárbaro instituído. Que
podemos subsistir com alimentos vegetais e fazer o nosso trabalho até com
vantagens não é uma teoria, mas sim um facto bem demonstrado. Muitas raças
vivem quase exclusivamente á base de vegetais e são de constituição física e
força superior. Não há duvida que alguns alimentos vegetais, como os flocos de
aveia, são mais económicos que a carne, e também superiores em relação aos
rendimentos mecânicos e mentais. […] Tendo em conta estes factos, todos os
esforços devem ser feitos para parar o abate cruel e desnecessário de animais,
que certamente é destrutivo para os nossos princípios morais.”
Nikola Tesla (1856-1943), The Problem of Increasing Human
Energy
” (1900)

 

“Quando um homem quer matar um tigre, chamam-lhe desporto; quando um tigre quer matar um homem chamam-lhe ferocidade.”
George Bernard Shaw (1856-1950), “The Revolutionist’s Handbook”

“Se tivéssemos de abater a nossa própria carne, haveria um grande aumento no número de vegetarianos.”
Ernest Howard Crosby (1856-1907), “Tolstoy and his Message” (1904)

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“Qualquer
dama de mãos mimosas que trinca com delicia uma costeleta coberta de pão e
embalsamada em loiro, em cravo, em salsa, em cebola, pimenta e limão,
empalidece de náusea sentindo o cheiro do açougue, considera imundície um
pedaço de carne crua nos seus vestidos e foge mais depressa da praça do peixe do
que da montureira que aduba a horta.”

Jaime de Magalhães Lima (1859-1936),
O vegetarismo e a moralidade das raças(1912)
“Quando
realmente soubermos dar aos nossos filhos um coração, o vegetarismo parecerá o
mais fácil e o mais cativante dos regimes; e as delícias de hoje serão as
repugnâncias de amanhã.”

Jaime de Magalhães Lima, “O
Vegetariano
”, IV Volume
“Tem
o vegetarismo uma qualidade singular: é que sendo calmante para os que o usam,
é bastas vezes irritante para os que o aborrecem e o combatem, mesmo sem o
terem experimentado. Aquece ao rubro os inimigos, só pelo crime de lhes
representar a privação de manjares que, na ira com que eles tentam defendê-los,
parecem a própria substância da sua alma.”

Jaime de Magalhães Lima, “O
Vegetariano
”, IV Volume
“E
se a subtileza de uma gula sanguinolenta incorrigível quiser distinguir entre
piedade e necessidade, fazendo entrar o carnivorismo no rol das crueldades
indispensáveis à vida humana, não deixaremos de lhe lembrar que também a pena
de morte e a tortura foram ”indispensáveis” à boa ordem e à saúde das
sociedades e tinham atrás de si um arsenal de justificações, qual delas a mais
poderosa, e todas tão lógicas e científicas como é científica e lógica a defesa
actual dos matadouros e açougues municipais e domésticos.”

Jaime de Magalhães Lima, “O
Vegetariano
”, Janeiro de 1914



 

“Sinto que o mais alto mandamento é o da compaixão por todos os seres sensíveis. […] Quantas criaturas vivas são sacrificadas unicamente para adornar pratos num jantar festivo, uma grande porção dos quais sairão da mesa sem terem sido tocados!”
– Rabindranath Tagore (1861-1941), Prémio Nobel da Literatura (1913), Glimpses of Bengal Selected from the Letters of Sir Rabindranath Tagore (tradução: Nuno Metello).


Não tenho a intenção de aprofundar aqui a
questão do vegetarianismo nem de ir ao encontro das o
bjecções
que se lhe podem fazer;
embora
se deva
reconhecer que dessas objecções nenhuma
consegue
resistir a um exame leal e atento.”

Maurice Maeterlinck (1862-1949),
Prémio Nobel da Literatura (1911), “Le
Temple Enseveli
” (1903).

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“Dê-se
ao animal um lampejo de razão, imagine-se o sonho tremendo que o mundo é para
ele; estes homens indiferentes, cegos e surdos, que o degolam, que o rasgam,
que o estripam, que o cortam em pedaços e o fazem cozer vivo, e às vezes se
divertem com as suas contorções de dor. […] Para uma consciência livre, o
sofrimento dos animais tem qualquer coisa de mais intolerável que o sofrimento
dos homens. Porque neste, pelo menos, admite-se que é um mal e é criminoso
aquilo que o causa. Mas cada dia são massacrados, inutilmente e sem sombra de
um remorso, milhares de animais. Quem aludisse a isso, seria ridículo. – E este
é o crime sem remissão. Só por si justifica quanto o homem poderá sofrer. Clama
vingança contra o género humano. Se Deus existe e o tolera, clama vingança
contra Deus. Se existe um Deus bom, deve salvar-se a mais humilde das almas
vivas. Se Deus não é bom senão para os fortes, se não há justiça para os
miseráveis, para os seres inferiores oferecidos em sacrifício à humanidade, não
há bondade, não há justiça.”

Romain Roman (1866-1944), Prémio
Nobel da Literatura (1915), Jean-Christophe, tradução de Jaime de Magalhães Lima, no Almanaque
Vegetariano
(1914).

“Se comprares a um açougueiro estás a autorizá-lo a matar – a matar criaturas indefesas, incapazes de falarem por si, que nem tu nem eu seriamos capazes de matar.”
– Paolo Troubetzkoy (1866-1938), entrevista ao “Morning Leader” (tradução: Nuno Metello).


 

“Algumas pessoas dizem que se os animais não forem usados para alimentação eles vão sobrelotar a Terra. Na Índia os hindus não matam vacas, mas não são sobrelotados por elas.”
– Um Hindu eminente citado por Ralph Waldo Trine (1866-1958), “Every Living Creature”, p. 32. Tradução: Nuno Metello.

 

“Para
mim, a vida de um cordeiro não é menos preciosa que a de um homem. Não estaria
disposto a sacrificar a vida de um deles em nome do corpo humano. Acho que
quanto mais indefesa a criatura mais direito ela tem à protecção dos homens
contra a crueldade humana.”
Mohandas K. Gandhi (1869-1948), “A minha vida e as minhas experiências com a
verdade
” (Editora: Bizâncio)

 

 

O animal é dotado tanto de
intelecto quanto de consciência e, por isso, o seu sofrimento deve suscitar no
homem uma profunda piedade. Não somente a conduta dos animais, mas seus
próprios comportamentos, gestos e fisionomia revelam neles a existência de uma
vida interior: uma vida talvez diversa e distante da nossa, mas dotada de
consciência, de modo que não pode ser reduzida a um simples mecanismo
fisiológico.

Piero
Martinetti
(1872-1943), filósofo italiano, “Pietà per gli animali” (1920), tradução no artigo “A “Pietà” de Piero Martinetti”, por
Laerte Fernando Levai.

“A
ética no nosso mundo ocidental até agora foi muito limitada às relações entre
humanos. Mas esta é uma ética limitada. Precisamos de uma ética sem limites,
que inclua também os animais… Está a chegar o tempo em que as pessoas ficarão
admiradas por a raça humana ter existido tanto tempo sem ter reconhecido que o prejuízo
impensado à vida é incompatível com uma verdadeira ética. A ética na sua forma não
qualificada alarga a sua responsabilidade a tudo o que tem vida.”

Albert Schweitzer (1875-1965), Prémio
Nobel da Paz (1952), “Memórias da
infância e da juventude
” (tradução de Ana Maciel, no livro “A Vida Emocional dos Animais”, de Marc
Bekoff).

 

 

“Ver
morrer um boi é para uma consciência límpida e para um espírito moral um
espectáculo canibalesco, incompatível com a humanidade.”

Dr. Amílcar de Sousa (1876-1940), no
mensário O Vegetariano

“Ninguém
que tenha sentimentos de bondade é capaz de a sangue frio matar uma pomba
branca, que arrulha no pombal, ou um frango de plumagem macia e multicor.”

Dr. Amílcar de Sousa, no mensário O Vegetariano

“Não lhe têm feito tapar o nariz os cheiros da putrefacção do peixe ou dos miúdos dos cadáveres dos bois ou porcos que passam pela rua à cabeça das vendedeiras? Entrar num talho e assistir à repartição desses «defuntos» é um espectáculo nauseabundo: tais necrotérios enojam e fazem engulhos. Os magarefes, de facalhão empunhado e avental ensanguentado, dão a impressão de assassinos. A carne dos animais não é para o homem comer. Já assim não acontece com os cães, que sofregamente a tragam rilhando os ossos à guisa de sobremesa. A mulher ou o homem têm de preparar, na cozinha, esses restos decompostos já, da caça, da pesca, da morte fratricida enfim, para como eles se poderem banquetear, depois de terem usado a faca e o garfo, a pólvora e o anzol, a linha e a rede com que traiçoeiramente abatem as suas vítimas.”
Dr. Amílcar de Sousa, no mensário O Vegetariano

 

“Bernard Shaw diz que enquanto os homens
torturarem e matarem animais e comerem a sua carne, teremos guerra. Eu penso
que todas as pessoas sãs e pensantes devem ser da mesma opinião. As crianças da
minha escola eram todas vegetarianas, e cresceram fortes e bonitas com uma
dieta de vegetais e fruta. Por vezes, durante a guerra, quando ouvia os gritos
dos feridos, eu pensava nos gritos dos animais nos matadouros e sentia que, da
mesma forma que nós torturamos estas pobres e indefesas criaturas, assim os
deuses nos torturam a nós. […]
Enquanto formos as sepulturas vivas de
animais assassinados, como podemos esperar quaisquer condições ideais na
terra?”
Isadora
Duncan
(1877-1927), ”My Life”, tradução: Ricardo Morais-Pequeno.

“Para além de concordar com os objectivos do vegetarianismo por razões estéticas e morais, é a minha opinião que, um modo de vida vegetariano pelo seu efeito puramente físico no temperamento humano iria beneficiar muito o destino da humanidade.”
Albert Einstein (1878-1955), carta a Harmann Huth, 27 de Dezembro de 1930 (in Alice Calaprice (ed.), “The New Quotable Einstein”, Princeton, 2005, p. 281).
“A nossa tarefa tem de ser libertarmo-nos desta prisão ao estendermos o nosso círculo de compaixão para que abrace todas as criaturas vivas e a totalidade da Natureza na sua beleza.”
Albert Einstein (New York Times, 28 de Novembro de 1972, conforme citado em The Extended Circle: A Dictionary of Humane Thought, de Jon Wynne-Tyson, Centaur Press, 2009, p. 86.)

 

“Visitou
uma vez o Aquário Berlinense com a minha amiga. Aí falou aos peixes nas
vitrinas iluminadas (ela contou-me isso mais tarde, comovida): «Agora já posso
olhar-vos com sossego, já não vos como». Foi na altura em que se fez rigoroso
vegetariano. É difícil imaginar, para alguém que não tenha ouvido tais ditos
pela própria boca de Kafka, com quanta simplicidade e facilidade ele os dizia,
sem qualquer afectação, sem a mínima ênfase (que lhe era, aliás, completamente
alheia). Ainda encontro nas minhas notas uma outra menção de Kafka em relação
ao vegetariano. Comparou os vegetarianos com os primeiros cristãos, perseguidos
e ridicularizados em toda a parte, em locais imundos. «No povo reles vegeta o
que é destinado aos melhores e mais elevados».”

Max Brod, sobre o seu amigo Franz Kafka (1883-1924),
no livro Franz Kafka (Tradução de
Susana Schnitzer da Silva, Ulisseia, 1954, p. 63).

 

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“Três vaquinhas pretas de malhas brancas estavam deitadas sobre a relva, as tetas muito cheias, oferecendo-se aos bezerrinhos que as rodeavam.
– Pormenor interessante! exclamou Manfredo. Até nisso se revela a encantadora brandura dos vossos hábitos. A confiança com que estes animais vêm até nós, prova bem que não estão acostumados a que os maltratem.
– Não é como na vossa terra? Perguntou Apolínio.
– Lá, respondeu o náufrago, sob o pretexto de que é o rei da criação, o homem transformou-se no carrasco dos outros seres. A uns, mata-os e devora-os; a outros, fá-los bestas de trabalho; a estes, porque são lindos e estima a sua companhia, rouba-lhes a liberdade e conserva-os presos em casa; àqueles, prejudica-os de várias formas. Por exemplo: vós, em Irmânia, por certo nunca comeste os ovos destas galinhas nem provaste o leite daquelas vacas…
– Não, com certeza. Depois de grandes não costumamos mamar, respondeu com ingenuidade o moço filho de Herculino. E quanto aos ovos de galinha, são destinados ao nascimento dos pintainhos, só.
– Pois nós outros, porque somos muito civilizados, bebemos o leite que as vacas têm para amamentação dos seus bezerros, e comemos os ovos que as galinhas põem para reprodução da sua espécie.
– Seríeis capazes, pelo que vejo, de comer a própria lua, se algum dia ela caísse na tolice de vir cá baixo! concluiu, com graça, Apolínio.”
Ângelo Jorge (1883-1922), “Irmânia” (1912; reedição: 2004).

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“Tornei-me vegetariano porque estava convencido que a vida é tão válida para as outras criaturas como é para os humanos. Não preciso de corpos de animais mortos para me manter vivo, forte e saudável, por isso não matarei para comer…”
Scott Nearing (1883-1983), “The Making of a Radical

“Assim é que tu entendes a Liberdade, tendo preso naquela infame gaiola aquele inocente passarito?”
António Gonçalves Correia (1886-1967), em O Vegetariano, vol. VIII, n.º 12.

“Ora, se nos podemos abster do uso da carne sem o mais leve prejuízo para a nossa saúde, antes pelo contrário, porque é que nós, europeus e americanos, que nos consideramos povos civilizados, somos tão cruéis a ponto de assassinar barbaramente pobres inocentes animais? Porque obrigamos também milhares de homens a ocupar a abominável profissão de matadores de animais, ocupação esta que infalivelmente torna cruel e bestial o carácter daqueles que seguem semelhante mister? E a causa de tudo isto sois vós, ó gente que vos alimentais de carne! Se pudésseis sequer compreender que estais envenenando diariamente o vosso organismo com os cadáveres dos animais que vão apodrecer nesse cemitério que é o vosso abdómen, decerto vos voltaríeis para a alimentação vegetariana, que não só vos beneficia o corpo mas também vos eleva o espírito.”
Eliezer Kamenesky (1888- 1957), panfleto reproduzido em “O Vegetariano”, vol. X, 2, pp. 41-48.


 

“Precisamos
de outro e mais sábio e, talvez mais místico conceito acerca dos animais. Afastado
da natureza universal e vivendo num complexo artifício, o homem na civilização
vigia a criatura através do vidro do seu conhecimento e vê, dessa forma, uma
pena aumentada e a imagem global distorcida. Sentimo-nos paternalistas pela sua
incompletude, pelo seu trágico destino de terem tomado uma forma tão inferior à
nossa. E aí erramos e erramos muito. Pois o animal não deverá ser avaliado pelo
homem. Num mundo mais antigo e mais completo do que o nosso eles movem-se
acabados e completos, abençoados com extensões dos sentidos que nós perdemos ou
nunca possuímos, vivendo de vozes que nós nunca ouviremos. Eles não são confrades,
nem são subordinados; são outras nações apanhados connosco na rede da vida e do
tempo, companheiros prisioneiros do esplendor e da labuta da terra.”


Henry Beston (1888-1968), “The Outermost House” (1928),
Tradução de Pedro Vidal no “Manifesto dos Animais” de Marc Bekoff.

 

 

“A
carne enjoa-me, porque sei como é que matam os animais, e como eles choram.
[…] Gosto dos animais, por isso achava que era pena comer carne, porque sei
que, se comer carne, terão que matar mais um animal. […] Desde que deixei de
comer carne, reparei que o meu estômago funciona melhor, que as minhas ideias
são melhores, e que corro em vez de andar. Só ando para descansar. Corro muito
porque me sinto forte. Tenho músculos que me obedecem. Tenho um cérebro que me
obedece. Danço com mais leveza e tenho mais apetite. […] Como legumes frescos
e toda a espécie de comida vegetariana. Sou vegetariano. Não sou um comedor de
carne.”
– Vaslav
Nijinsky
(1890-1950), “Cadernos: o sentimento”, Tradução de Maria Jorge Vilar de Figueiredo,
Assírio & Alvim, 2004.

 

 

“Matar por «desporto», por
sobrevivência, pela nação, pela paz – não há muita diferença em tudo isto.
Justificações não são resposta. Resposta existe apenas uma: não matem! No
Ocidente, pensamos que os animais existem para bem dos nossos estômagos, ou
para termos o prazer de matar, ou usufruir das suas peles. No Oriente ensina-se
há séculos e todos os pais repetem: não matem, tenham piedade, tenham
compaixão. Aqui os animais não têm alma, por isso podem ser mortos impunemente;
lá, os animais têm alma, portanto, pensem bem, abram o vosso coração ao amor.
Aqui, comer animais, aves, é considerado uma coisa normal, apadrinhada pela
Igreja e pela publicidade; lá, não o é e as pessoas cultas, religiosas, por uma
questão de tradição e de cultura, nunca o fazem.”
Jiddu
Krishnamurti
(1895-1986), “Natureza e
Meio Ambiente
”, Tradução de Alexandra Agostinho, Edições 70, 1997, p. 38.

“É estranho termos tão poucos laços com a natureza, com os insectos, com a rã saltitante e com o mocho que pia por entre os outeiros, chamando a sua companheira. Nunca demonstramos ter uma certa simpatia por todos os seres vivos da terra. Se pudéssemos estabelecer uma relação intensa com a Natureza, nunca mataríamos um animal para saciar o nosso apetite, nunca feriríamos nem dissecaríamos um macaco, um cão, uma cobaia para nosso proveito. Encontraríamos outras formas de cicatrizar as nossas feridas, curar os nossos corações. […]
O Homem matou e continua a matar milhões de baleias e tudo o que obtemos desse massacre pode ser conseguido por outros meios. Mas, ao que parece, o Homem gosta de matar, gosta de matar o veado em fuga, a gazela maravilhosa e o elefante pujante. Adoramos matar-nos uns aos outros. Esta chacina humana nunca se deteve em toda a história da vida do Homem na Terra. Se conseguíssemos – e é imperativo fazê-lo – estabelecer uma relação profunda e duradoura com a Natureza, com as árvores, os arbustos, as flores, a erva e as nuvens velozes, nunca mais massacraríamos outro ser humano, por motivo algum. Assassínio organizado é sinónimo de guerra.”
Jiddu Krishnamurti, Ibid., p. 71.


Não será o Homem um animal muito mais perigoso do que todos os outros? E pergunta-me por que será que na Natureza existe morte e sofrimento… Um tigre mata uma vaca ou um veado, é o seu modo de vida, mas no momento em que nós interferimos, surge a verdadeira crueldade.”
Jiddu Krishnamurti, Ibid., p. 72.
“Mas há aqueles que matam: matam por desporto, por divertimento, matam para obter lucro – por exemplo, a indústria da carne. São os mesmo que destroem a Terra, espalham gases venenosos, poluem o ar, as águas, e poluem-se uns aos outros. É o que estamos a fazer à Terra e a nós próprios. […] Viver sem causar sofrimento ou morte aos outros significa não matar um ser humano nem qualquer animal, por desporto ou para sustento.”
Jiddu Krishnamurti, Ibid., pp. 101-102.
“Se perdermos o contacto com a Natureza,
perdemos o contacto com a Humanidade. Se não tivermos uma ligação com a
Natureza, tornamo-nos assassinos; então, matamos focas-bebé, baleias, golfinhos
e homens, seja por proveito, por «desporto», para sustento ou pela experiência.”

Jiddu
Krishnamurti
, Ibid., p. 104.

“Quando um humano mata um animal para comer, negligencia a sua própria fome por justiça. O homem reza por misericórdia, mas está relutante em estendê-la aos outros. Por que o homem espera misericórdia de Deus? É injusto esperar uma coisa que não se está disposto a dar.”
Isaac Bashevis Singer (1902-1991), Prémio Nobel da Literatura em 1978, no prefácio para a primeira edição do livro “Food for the Spirit: Vegetarianism and the World Religions” (1987), de Steven Rosen

“Considero o meu vegetarianismo a maior conquista da minha vida.”
Isaac Bashevis Singer, no livro “Isaac Bashevis Singer: Conversations”, editado por Grace Farrell

“Todo o tagarelar
sobre decência, misericórdia, cultura e ética parece tolo vindo das bocas de
pessoas que matam criaturas inocentes, perseguem uma raposa cansada com os seus
cães de caça, ou mesmo sustentam touradas e matadouros. […] Acredito que nunca
haverá paz alguma neste mundo enquanto os animais forem tratados da forma que
os tratamos hoje.”
Isaac Bashevis Singer, Ibid.

 

“Todas as vezes que
Herman presenciava a carnificina de animais e de peixes, tinha sempre o mesmo
pensamento: em relação a todos os seres os homens comportavam-se como nazis. A
presunção com que o homem fazia o que queria com outras espécies, exemplificava
as teorias racistas mais extremistas, o princípio de que o poder está certo.”
Isaac Bashevis Singer, Inimigos: uma história de amor” (Tradução de Marta Morgado, Dom
Quixote, 1990).

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“Inicialmente tornei-me vegetariano por esta razão: eu tenho uma grande aversão ao tratamento dos animais naquilo a que chamamos criação intensiva. Eu sentia que isso era uma das coisas mais horríveis e bestiais, e estava constantemente a protestar em relação a isso. Então, quando eu protestava, alguém perguntava “Tu comes carne?” e se eu dissesse, “Sim”, eles diriam, “Bem, como é que sabes que não é produzida dessa maneira?” E eu percebi que se eu fosse continuar a ser comedor de carne eu não poderia continuar a protestar.”
Malcolm Muggeridge (1903-1990), entrevista no livro “The New Vegetarians” de Rynn Berry, 1993, p. 95. Tradução: Nuno Metello.

“Eu penso que se o Homem trata mal os animais, ele vai quase de certeza tratar mal seres humanos quando chegar a altura.”
Malcolm Muggeridge, Ibid., p. 101.


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“Nunca temperei um facto verdadeiro com o
molho da mentira, para me facilitar a digestão.”
Marguerite
Yourcenar
(1903-1987), “A Obra ao
Negro
” (tradução de António Ramos Rosa, Luísa Neto Jorge e Manuel João
Gomes, Publicações Dom Quixote, 1999, p. 99).
“Carne, sangue, entranhas, tudo o que
palpitou e teve vida causava-lhe, nesta fase da sua existência, repugnância,
pois que, tal como o homem, o animal morre de forma dolorosa e a ele
desagradava-lhe digerir agonias. Desde o tempo em que ele próprio degolava um
porco num talho de Montpellier, com o fim de verificar se havia ou não coincidência
entre a pulsação da artéria e a sístole do coração, deixaram de considerar útil
o emprego de dois termos diferentes para designar o animal que se abate e o
homem que se mata, o animal que estoira e o homem que morre.”
Marguerite
Yourcenar
, Ibid., p.
147.

“Revoltemo-nos contra a ignorância, a indiferença, a crueldade, que aliás tão frequentemente se exercem contra o homem apenas porque se abateram os animais. E, na humilde medida do possível, transformemos (quer dizer, melhoremos), se possível, a vida.”
Marguerite Yourcenar, “O Tempo, esse grande escultor” (Tradução de Helena Vaz da Silva, Difel)
“Debitada em fatias cuidadosamente embaladas em papel celofane num supermercado, ou conservada em lata, a carne do animal deixa de ser sentida como tendo sido viva. Atrevemo-nos a dizer que os nossos talhos, donde pendem nuns ganchos animais que ainda á pouco sangravam – e de tal modo atrozes para quem não está habituado a eles que alguns dos meus amigos estrangeiros mudam de passeio, em Paris, ao vê-los de longe – , talvez sejam um bem, enquanto testemunhos visáveis da violência feita pelo homem ao animal.”
– Marguerite Yourcenar, Ibid.

“Já
nos aconteceu a todos observar com horror cenas de execução na praça pública,
das pinturas medievais ou das gravuras do século XVII. Também já aconteceu a
muitos de nós passar rapidamente e com certo nojo, nalguma pequena terra de
Espanha ou do Oriente, diante do talho local, com as suas moscas, as carcaças
ainda quentes, ou os animais ainda vivos, presos e a tremer em frente dos
outros, mortos, e o sangue a escorrer pela rua fora. A nossa civilização tem
compartimentos estanques: protege-nos de tais espectáculos.
Em
La Villette, nas cadeias número dois dos novos matadouros, os vitelos e os
bois, estes últimos depois de uma queda brutal, são pendurados ainda
conscientes antes da execução, por uma questão de rapidez – time is money. […] As paredes dos novos
matadouros (bela realização técnica, sem dúvida, provida de todos os
aperfeiçoamentos) são espessas: não vemos as criaturas torcerem-se de dores;
não ouvimos os seus gritos, insuportáveis mesmo para o mais convicto apreciador
de bifes.”

Marguerite Yourcenar,
Ibid.
“Curiosamente, desde a mais tenra infância, recusei-me a comer carne e tiveram a grande inteligência de não me obrigar a fazê-lo. Mais tarde, pelos quinze anos, naquela idade em que queremos «ser como toda a gente», mudei de opinião. Depois, aos quarenta, regressei ao meu ponto de vista dos seis anos de idade.”
Marguerite Yourcenar, “De Olhos Abertos” (Tradução de Renata Correia Botelho, Relógio d’Água, 2011)
“Nunca será demasiado tarde para tentar fazer o bem, enquanto sobre a terra houver uma árvore, um animal ou um homem.”
Marguerite Yourcenar, Ibid.
“É claro que não nego essa grandeza específica do Homem à qual Pico de Mirândola consagra uma admirável página que coloquei como epígrafe de A Obra ao Negro: o homem senhor, ordenador e escultor de si próprio, livre de escolher entre o bem e o mal, entre a loucura e a sabedoria, um dom e uma liberdade que o animal não tem. Mas, precisamente, essa quase liberdade de escolha (porque quem a dirá total?) torna-nos responsáveis.”
Marguerite Yourcenar, Ibid.


Herman: Como é que o professor se alimenta? Tem cuidado com a sua alimentação para ter chegado a essa idade nessa forma estupenda?
Agostinho da Silva: Eu não tenho cuidado, quer dizer, eu evito comer animal.
Herman: Evita comer animal?
Agostinho da Silva: Evito comer animal, coitado do bicho, que culpa tem ele que eu exista?
Agostinho da Silva (1906- 1994) no programa Conversas Vadias, RTP, 1990.
Fotografia ® Ass
ociação Agostinho da Silva.

“Desde
há cerca de quinze anos que o etólogo toma cada vez mais consciência de que os
problemas levantados pelos preconceitos raciais reflectem, à escala humana, um
problema muito mais vasto e cuja solução é ainda mais urgente: o das relações
entre o homem e os outros seres vivos; e não servirá de nada pensar resolvê-lo
no primeiro plano se não atacarmos também no segundo, porquanto é verdade que o
respeito que desejamos obter do homem para com os seus semelhantes não é senão um
caso particular do respeito que aquele deveria experimentar por todas as formas
de vida.”

Claude Lévi-Strauss (1908-2009), discurso
pronunciado na UNESCO em 1971 (citado em “Os
animais que nos fazem bem
” de Jean-Louis Victor, tradução de Ana Cristina Leonardo,
Sinais de Fogo, 2012).

 

“Os
argumentos humanitários e económicos contra explorar animais para alimentação e
outros produtos tornaram-se, para mim, inescapáveis. Esta percepção começou a
surgir quando criava bezerros para leite. A separação do bezerro recém-nascido
da sua mãe, que é um factor essencial na produção comercial de leite, tornou-se
uma experiência cada vez mais insuportavelmente comovente.”
Robert Hart
(1913-2000), “Forest Gardening
, tradução: Nuno Metello.

“Uma dieta vegetariana é essencial para a prática de yoga.”
BKS Iyengar (1918-2014), Light on Yoga

“Se animais tivessem morrido para encher o meu prato, a minha mente e o meu coração ficariam pesados com tristeza.”
BKS Iyengar, campanha para a PETA

“Um dia vi num documentário como alimentam os frangos, como os matam e destroçam, e pouco me faltou para vomitar.”
José Saramago (1922-2010), Outros Cadernos de Saramago, Penas Chinesas

 

“Eu
penso que chegará um tempo, e isto acontecerá daqui a muitos, muitos anos, em
que as pessoas civilizadas olharão com horror para trás, para a nossa geração e
aquelas que a precederam: para a ideia de que nós comíamos outros seres vivos
que corriam em quatro patas, de que os criávamos apenas com o objectivo de os
matar! As pessoas do futuro dirão “comedores de carne!” com repugnância e
ver-nos-ão da mesma forma com que nós vemos os canibais e o canibalismo.”

Dennis Weaver (1924-2006), Entrevista
no livro “The New Vegetarians” de
Rynn Berry, 1993, p. 66.

Tradução: Ricardo Morais-Pequeno.


Logo no começo do Génesis, está escrito que Deus criou o homem para que ele reinasse
sobre os pássaros, os peixes e o gado. É claro que o Génesis é obra do homem e não do cavalo. Ninguém pode ter a certeza
absoluta que Deus realmente queria que o homem reinasse sobre todas as
criaturas. […]
É um direito que nos parece natural porque quem
está no topo da hierarquia somos nós. Bastava que entrasse mais outro parceiro
no jogo, por exemplo um visitante vindo de outro planeta cujo Deus tivesse dito
«Tu reinarás sobre as criaturas de todas as outras estrelas», para que toda a
evidência do Génesis ficasse logo posta em questão. Talvez depois de um
marciano o ter atrelado a uma charrua ou enquanto estivesse a assar no espeto
de um habitante da Via Láctea, o homem se lembrasse das costeletas de vitela
que costumava comer e apresentasse (tarde demais) as suas desculpas à vaca. […]
A
verdadeira bondade do homem só pode manifestar-se em toda a sua pureza e em
toda a sua liberdade com aqueles que não representam força nenhuma. O
verdadeiro teste moral da humanidade (o teste mais radical, aquele que por se
situar a um nível tão profundo nos escapa ao olhar) são as suas relações com
quem se encontra á sua mercê: os animais. E foi aí que se deu o maior fracasso
do homem, o seu desaire fundamental que está na origem de todos os outros.”
– Milan Kundera (n. 1929), “A Insustentável Leveza do Ser”,
Sétima parte, 2, (Tradução de Joana Varela, Dom Quixote).
“Eu
não acredito que, mesmo quando cumprimos as nossas obrigações mínimas de não
causar dor, nós tenhamos o direito de matar animais. Eu sei que não teria o
direito de te matar, ainda que fosse de forma indolor, apenas por gostar do teu
sabor, e não estou em posição de avaliar que a tua vida seja mais valiosa para
ti do que a de um animal para ele.”Brigid Brophy (1929-1995),The
Rights of Animals
, tradução: Ricardo Morais-Pequeno.

 

“Sempre
que as pessoas dizem “Não podemos ser sentimentalistas”, podes estar certo de
que vão fazer algo cruel. E se acrescentarem “Temos de ser realistas”, querem
dizer que vão ganhar dinheiro com a situação. Estes slogans têm uma longa
história. Depois de terem sido usados para justificar os traficantes de
escravos, os industrialistas impiedosos e os empreiteiros que descobriram que o
método mais económico e “realista” de limpar uma chaminé era forçar uma criança
pequena a subir por ela, foram agora passados, como se fossem relíquias de
família, para os criadores intensivos de animais.”
Brigid Brophy, “Unlived Life
– A Manifesto Against Factory Farming”
, tradução: Ricardo Morais-Pequeno.

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“Ninguém pode mais negar seriamente a
negação. Ninguém mais pode negar seriamente e por muito tempo que os homens
fazem tudo ou para se dissimular essa crueldade, para organizar em escala
mundial o esquecimento ou o desconhecimento dessa violência que alguns poderiam
comparar aos piores genocídios (existem também os genocídios animais: o número
de espécies em via de desaparecimento por causa do homem é de tirar o fôlego).
Da figura do genocídio não se deveria nem abusar nem se desembaraçar rápido
demais. Porque ele se complica aqui: o aniquilamento das espécies, de fato,
estaria em marcha, porém passaria pela organização e a exploração de uma
sobrevida artificial, infernal, virtualmente interminável, em condições que os
homens do passado teriam julgado monstruosas, fora de todas as normas supostas
da vida própria aos animais assim exterminados na sua sobrevivência ou na sua superpopulação
mesmo. Como se, por exemplo, em lugar de jogar um povo nos fornos crematórios e
nas câmaras de gás, os médicos ou os geneticistas (por exemplo, nazistas)
tivessem decidido organizar por inseminação artificial a superprodução e
supergeração de judeus, de ciganos e de homossexuais que, cada vez mais
numerosos e mais nutridos, tivessem sido destinados, em um número sempre
crescente, ao mesmo inferno, o da experimentação genética imposta, o da
exterminação pelo gás ou pelo fogo. Nos mesmos abatedouros.”
Jacques
Derrida
(1930-2004) “O animal que
logo sou (A seguir)
”, Tradução de Fábio Landa, Editora UNESP, São Paulo,
2002.

“Nós,
seres humanos, enquanto espécie, estamos interessados na comunicação com a
inteligência extraterrestre. Não seria um bom começo melhorar a comunicação com
a inteligência terrestre, com os outros seres humanos de culturas e de línguas diferentes,
com os grandes macacos, os golfinhos, mas muito especialmente com essas
inteligentes soberanas das profundezas, as grandes baleias?”

Carl Sagan (1934-1996), “Cosmos” (1980). Edição portuguesa: Gradiva,
2012.
“…tornei-me
muito amigo de um coelho – George, o coelho. Até que um dia, George, o coelho
foi George, o almoço. […] Foi obsceno
para mim enquanto criança. Eu lembro-me desse incidente vividamente. Penso que
entrei em estado de choque quando percebi que me estavam a pedir para comer o
meu amigo.”
Marty Feldman (1934-1982), em “The Vegetarians” de Rynn
Berry, 1979, p. 30. Tradução: Nuno Metello.
Foto: AVRO.

“Não nos devemos iludir a acreditar que, enquanto existir sofrimento humano, é moralmente aceitável ignorar o sofrimento não humano. Quem somos nós para dizer que o sofrimento de um ser humano é mais terrível que o sofrimento de um ser não humano, ou que importa mais?”
Jane Goodall (n. 1932), no livro “The Great Ape Project” (editado por Peter Singer e Paola Cavalieri).

“Milhares de pessoas que dizem que ‘adoram’ animais sentam-se uma ou duas vezes ao dia a desfrutar a carne de criaturas que foram completamente privadas de tudo o que poderia tornar as suas vidas dignas de serem vividas e que suportaram o horrível sofrimento e terror dos matadouros.”
Jane Goodall, no livro “The Ten Trusts”, escrito com Marc Bekoff.

“A grande maioria do público tem uma atitude equívoca em relação ao uso industrial de animais: fazem uso dos produtos dessa indústria, mas ficam todavia com algumas náuseas, algum constrangimento, quando pensam no que se passa nas quintas de criação intensiva e nos matadouros. Por conseguinte organizam as suas vidas de tal forma que se lembrem das quintas e dos matadouros o menos possível, e dão o seu melhor para garantir que os seus filhos fiquem na ignorância também, pois todos sabemos que as crianças possuem corações mais delicados e que são facilmente tocadas.”
J. M. Coetzee (n. 1940), “Animals can’t speak for themselves- it’s up to us to do it”, 2007.

“Estive
presente numa feira agrícola anual em Auckland, na Nova Zelândia. […] Entre
outras pessoas, falei com várias mulheres que trabalham diariamente com bois e
vacas. «Que vê quando olha para eles?», perguntei, esperando com isso ficar com
alguma ideia das suas emoções. «Vejo boa carne vermelha», disse-me uma delas, e
a irmã concordou. «E quanto aos sentimentos delas?», perguntei. «Não têm
sentimentos», concordaram ambas. […] .Nessa altura ouvimos um mugido forte.
Perguntei-lhes por que razão faziam as vacas aquele ruído. «Não é nada»,
assegurou-me uma mulher. «São só as vacas a chamar os vitelos.» Que queria ela
dizer com isso? «É que foram separados e os vitelos têm medo e estão a chamar
as mães, e as vacas têm receio pelos vitelos e estão a chamá-los, provavelmente
a tentarem tranquilizá-los.» E ali estava, pelas suas próprias bocas, as mesmas
que tinham dito que aqueles animais nada sentiam, nem medo, nem a dor da
separação, nem o desejo de ser reconfortados, nem amor pelas crias, nem a falta
das mães.”


Jeffrey Mussaieff Masson (n. 1941),
O Porquinho que cantava à lua: o mundo
das emoções dos animais domésticos”
, tradução de Margarida Sousa, Sinais de
Fogo, 2005, p. 167.

 

“Enquanto
falávamos de liberdade e justiça para todos, sentámo-nos para comer bifes.
Estou a comer infelicidade, pensei, ao dar a primeira dentada. E cuspia-a.”
Alice Walker (n. 1944), “Am I
Blue?
(tradução de Ana Maciel, em “A Vida Emocional dos Animais”, de Marc Bekoff).

“…Aqueles
que afirmam preocupar-se com o bem-estar dos seres humanos e com a preservação
do ambiente deveriam tornar-se vegetarianos por essa mesma razão. Assim,
contribuiriam para o aumento da quantidade de cereal disponível para alimentar
as pessoas necessitadas, para a redução da poluição, para a poupança de água e
energia e deixariam de contribuir para a desflorestação.
…Quando
os não vegetarianos dizem que “os problemas humanos vêm em primeiro lugar”, não
posso deixar de me interrogar sobre o que estarão eles exactamente a fazer
pelos seres humanos que os obrigue a prosseguir a exploração supérflua e cruel
dos animais de criação.”

Peter Singer (n. 1946), “Libertação Animal” (Tradução de Maria de
Fátima St. Aubyn, Via óptima, 2008)


“Eu dei conta de que era estranho cuidar da proteção de meu filho e comer os filhos dos outros.”
Philippe Starck (n. 1949), no livro “Entre Aspas – Diálogos Contemporâneos”, de Fernando Eichenberg, Editora Globo.

“Tu não podes ser um ambientalista, um cuidador dos oceanos, sem verdadeiramente passares à acção, e não podes passar à acção no mundo do futuro, no mundo que está à nossa frente, no mundo das nossas crianças, sem fazeres uma alimentação à base de plantas.
James Cameron (n. 1954), James Cameron challanges environmentalists to go vegan

“Sempre que presumimos algum nível de inteligência para [os outros animais], investigações posteriores mostram que eles são mais inteligentes do que alguma vez pensámos ou mais espertos do que alguma vez lhes demos crédito de serem.”
Neil deGrasse Tyson (n. 1956), entrevista para a PETA

“Os seres humanos têm uma tendência para medir a inteligência dos outros animais em termos humanos. […] Os gorilas são inteligentes enquanto gorilas. Similarmente, uma ratazana não será provavelmente menos inteligente do que um rinoceronte, mas para ser mais exacto, uma ratazana é inteligente segundo os padrões de inteligência da sua espécie, tal como um rinoceronte o é dentro da sua espécie. […] Cada um deles tem a sua própria inteligência, que evoluiu para lidar com os desafios apresentados pelos seus estilos de vida e meio ambiente.”
Jonathan Balcombe (n. 1959), “O Reino do Prazer: saiba como os animais são felizes” (Tradução de Maria Emília Novo, Europa-América, 2008).

“Ao fim-de-semana, a minha família, que vivia em Chicago, viajava até ao Wisconsin, e parava num restaurante de que eu não gostava, e então eu esperava no carro enquanto todos os outros comiam. Uma noite, aborrecida, eu saí do carro e caminhei à volta do parque de estacionamento. Reparei num camião cheio de bezerros, e liguei-me a um em particular, que não parava de me dar beijos. Cerca de uma hora depois, o condutor do camião saiu do restaurante. Perguntei-lhe qual era o nome do bezerro, e ele disse ‘Vitela, amanhã pelas 7 horas’. E foi assim: eu deixei de poder dissociar a criatura daquilo que estava no meu prato.”
Daryl Hannah (n. 1960), entrevista à revista “Vegetarian Times”, tradução: Ricardo Morais-Pequeno.

“Eu gosto de animais. De todos os animais. Não magoaria um gato ou um cão – ou uma galinha, ou uma vaca. E não pediria a outra pessoa que os magoasse por mim. É por isso que sou vegetariano.”
Peter Dinklage (n. 1969), da série “A Guerra dos Tronos”, entrevista para a PETA [Fotografia por Gage Skidmore.]

 


“Sempre que eu me sento para comer, tomo uma
decisão sobre quem sou neste mundo: Quero contribuir para o nível de
violência, miséria e derramamento de sangue que há no mundo? Ou quero fazer uma
escolha compassiva e misericordiosa? Existe tanta violência no mundo, das
regiões devastadas pela guerra em África e na Europa às nossas próprias cidades.
A maior parte desta violência é difícil de compreender, e mais difícil ainda de
influenciar. O veganismo é uma área em que cada um de nós pode fazer a
diferença, de cada vez que se senta para comer.”

Bruce
Friedrich
, “Uma definição para vegano
(tradução: Ricardo Morais-Pequeno).
Foto de Buce e Catalina: Jo-Anne McArthur.

“Ao crescer, aprendi a amar e respeitar toda a vida. Agora, que sou pai, estou a ensinar o meu filho a também amar e respeitar toda a vida. Nós não achamos que qualquer criatura deva sofrer ou morrer para o nosso jantar quando há tantas outras comidas para nós escolhermos.”
Masta Killa (n. 1969), do grupo Wu-Tang Clan, Testemunho para a PETA.

 

“Quando eu tinha 9 ou 10 anos, o meu pai
levou-me a uma quinta vizinha para eu ajudar a obter coisas para a refeição.
Vic, o agricultor, disse-me para olhar para todos os perus e para escolher um.
Eu vi um peru adorável com um andar tolo e exclamei “Ele!” Antes que meu dedo
indicador tivesse tempo de baixar, o Vic agarrou o animal pelo pescoço e
cortou-lhe a garganta. Sangue e penas voaram. Eu condenei aquele peru à morte!
Até àquele momento, eu não sabia de onde vinha a carne – e tenho sido
vegetariana desde então.”
Sarah
Silverman
, (n. 1970), “Marie Claire”, Novembro de 2009. (Foto de Joan
Garvin.)

 

 

“Eu tinha 3 anos – e até hoje permanece uma memória bem viva. A
minha família e eu estávamos num barco, a apanhar peixe. Um peixe que foi
apanhado estava a contorcer-se e depois atiraram-no contra a amurada do barco.
Não havia maneira de esconder aquilo. Era isto que fazíamos aos animais para os
comermos. O animal deixava de ser uma criatura viva e vibrante a lutar pela sua
vida e era atirado para uma morte violenta. Eu reconheci isto, tal como os meus
irmãos e as minhas irmãs.”
Joaquin Phoenix (n.
1974), entrevista à PETA. Tradução: Ricardo Morais-Pequeno.
[Fotografia de Joaquin Phenix por aphrodite-in-nyc.]

 

 


“Se um dia encontrássemos uma forma de vida mais
poderosa e inteligente do que a nossa, e se ela nos visse como nós vemos os
peixes, qual seria o nosso argumento para não servos consumidos?”


Jonathan Safran Foer
(n. 1977), “Comer
Animais”
(Tradução Luís Santos, Bertrand, 2010).

“A pesca de arrasto, quase sempre de camarão, é o
equivalente marinho do abate da floresta tropical. Seja qual for o alvo, os
arrastões apanham peixes, tubarões, raias, caranguejos, lulas, vieiras – geralmente,
cerca de uma centena de peixes e outras espécies diferentes. Praticamente todas
morrem. […] Segundo um estudo recente publicado na Applied
Animal Behaviour Science
, os peixes morrem lenta e dolorosamente ao longo
de um período que pode chegar aos catorze minutos depois de terem sido atirados
completamente conscientes para uma mistura gelada imunda (algo que acontece
tanto aos peixes apanhados no mar como aos de criação). […]
Nunca terá de se interrogar se o peixe que tem no
prato terá sofrido. Sofreu.”

Jonathan Safran Foer
, Ibid.

 

“Lembro-me de que na Faculdade um professor pediu à nossa turma
para pensar sobre o que é que os nossos netos considerariam como sendo um
comportamento ou um pensamento retrógrado da nossa geração, da mesma forma que
ficamos chocados com o tipo de misoginia, racismo e sexismo que hoje sabemos
que era comum no mundo dos nossos avós. Ele incitou-nos a utilizar este
princípio para examinarmos os comportamentos das nossas vidas e das nossas
sociedades, para que fizéssemos parte da mudança. A criação industrial de
animais será uma das coisas para as quais olharemos como relíquias de uma era
menos evoluída.”

Natalie Portman
(n. 1981), Huffington
Post
, 27 de Outubro de 2009, tradução: Ricardo Morais-Pequeno. [Foto por Benjamin Ellis.]

 

 

“Eu nunca comi carne na minha vida, tenho 1,78m e
não estou propriamente a definhar.”
Joss
Stone
(n. 1987), Introducing Joss Stone: Singer, Songwriter, Perfeormer,
Vegetarian

 

 

 

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