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Porque motivo se tornou Vegetariano/a?:

Motivos para Vegetarianismo

 

Razões para o Vegetarianismo


Pela sua Saúde:

Nos últimos anos, extensivos estudos médicos têm provado que grande parte dos cancros, doenças cardiovasculares, diabetes, artrite, osteoporose, obesidade, impotência e doenças degenerativas, estão associadas ao consumo de carne e outros produtos de origem animal. A razão pode ser porque são frequentemente dadas aos animais hormonas, pesticidas e antibióticos que ficam no seu organismo e consequentemente no das pessoas que os consomem.

Ao adoptar uma alimentação vegetariana está a prevenir o aparecimento de uma série de doenças e portanto a assegurar uma vida longa e saudável.

Pelos Animais:

Está cientificamente provado que todos os animais com sistema a nervoso organizado (mamíferos, aves, répteis, peixes ...) têm, tal como nós humanos, a capacidade de sentir dor, medo, frio, calor, alegria, angústia, ansiedade, de manifestar o desejo de não morrer, de ter recordações e de agir intencionalmente. Todos os anos são mortos biliões de animais em Portugal que passam a sua curta vida confinados a espaços onde mal se podem mexer. Durante a viagem até aos matadouros os animais são transportados sem as mínimas condições de higiene e são empilhados uns por cima dos outros. Estas viagens decorrem durante muitas horas. Os animais não têm água nem comida. Chegados aos matadouros os animais são muitas vezes mal atordoados e mortos de uma forma cruel e desumana, estando ainda conscientes.

Ao reconhecermos que os animais têm o direito de não sofrer e o direito à vida, o vegetarianismo surge como uma opção natural que abdica da contribuição para o sofrimento animal. Pode não ser você a matar os animais, mas é você que financia a sua morte.

Pelo ambiente:

A produção animal é uma das maiores causadoras da poluição dos lençóis de água. Milhares de hectares de florestas são destruídos todos os anos para criar pastos para gado. Milhares de litros de água e cereais são gastos para alimentar o gado para consumo humano.

Se todos estes gastos revertessem para os países de terceiro mundo, as pessoas não passariam fome.

Por estas e por outras razões ... pense duas vezes antes de comer!

 

* * *

 

Razões éticas para o Vegetarianismo

A escolha do vegetarianismo por razões éticas baseia-se no facto de os animais possuirem direitos que reflectem a existência de um sistema nervoso central que, tal como nos humanos, permite que tenham percepção das condições e estímulos externos negativos, reagindo nestas situações com ansiedade, medo e angústia, desejo de não morrer, sofrer ou serem explorados. Permite-lhes também construir laços afectivos com outros animais e desejar viver uma vida livre e num ambiente saudável e propício ao seu bem-estar.

Neste momento, no país onde vivemos, é socialmente aceite que as minorias étnicas e as mulheres devem ter os mesmos direitos que os homens brancos. Ainda existem muitos passos a dar para acabar totalmente com o racismo e com o sexismo em Portugal e no Mundo, mas neste momento a situação encontra-se muito melhor do que há 10 ou 20 anos atrás. A razão para esta discriminação baseava-se no facto de se julgar que estas minorias possuíam poucas capacidades mentais ou uma intrínseca inferioridade. Depois compreendeu-se que isso não era verdade. Actualmente na nossa sociedade existe também já um grande respeito por indivíduos com capacidades mentais reduzidas, como deficientes mentais ou crianças, sendo a sua exploração socialmente inaceitável.

Mas esta é a mesma sociedade que explora e mata animais para produção de alimentos e que acha obviamente imoral explorar e matar humanos com o mesmo objectivo. Surge então a pergunta: “o que é que diferencia os seres humanos dos restantes animais que permite aos humanos poder explorar e matar os animais não-humanos quando existem alternativas?”.

A resposta que surge de imediato é o facto de os humanos, ao contrário dos outros animais, serem racionais, o que lhes permite produzir novas ferramentas e tecnologias, estabelecer teorias abstractas, criar sociedades desenvolvidas, etc...

Mas o erro neste raciocínio prende-se com o facto de que o que permite a um humano não desejar sofrer ou ser explorado não é a sua capacidade de construir um raciocínio complexo, mas sim, o facto de possuir um sistema nervoso central. Este permite-lhe receber estímulos exteriores, processá-los e dar-lhes um significado positivo ou negativo, e dispoletar uma resposta adequada. O estudo científico do comportamento animal (Etologia) já concluiu que pelo menos todos os mamíferos (1), aves (1, 2) e vários peixes (3) possuem sinais complexos de sofrimento e desejo de o evitar, quando colocados em situações de stress.

Portanto, se não é a capacidade de raciocinar dos humanos que lhes permite desejar evitar situações negativas, mas sim a posse de um sistema nervoso central, então deve ser evitada toda a exploração e morte de todos os animais que possuem este sistema.

Não é necessário compreender muito de ética para perceber que quando vemos num porco ou numa vaca comportamentos como contorção do corpo e da face, gemidos, uivos ou outras formas de chamamento, tentativas de evitar a fonte de dor, aparência de ter medo na possibilidade da sua repetição, entre outros, estes animais estão a sofrer e a desejar não estar naquela situação.

Partindo do princípio que a nossa liberdade deve acabar quando a liberdade de outra entidade é significativamente prejudicada com os nossos actos, a adopção de uma dieta vegetariana é eticamente mais coerente.

Hugo Evangelista
(Associação Vegetariana Portuguesa 2005)

Referências:

1 – Short, C.E. (1998), “Fundamentals of pain perception in animals”, Applied Animal Behaviour Science, vol.59, pp. 125–133.
2 – Gentle, M.J., Waddington, D., Hunter, L.N., Jones, R.B. (1990), “Behavioural evidence for persistent pain following partial beak amputation in chickens” Applied Animal Behaviour Science, vol.27, pp.149-157.
3 – Sneddon, L.U., Braithwaite, V.A., Gentle, M.J. (2003), “Do fishes have nociceptors? Evidence for the evolution of a vertebrate sensory system”, Proc. Royal Society London B, vol. 270, pp. 1115–1121.

 

 

Razões Ambientais para o Vegetarianismo

O vegetarianismo não é apenas uma solução para os problemas éticos associados à produção de carne. É também uma forma de resolver graves problemas ambientais que existem em todo o Mundo, incluindo Portugal.

Em primeiro lugar, e de especial interesse para os defensores dos direitos dos animais, está a diminuição da biodiversidade (1). Esta decorre de uma degradação e destruição de habitats naturais, para a produção animal que consome cerca de 70% da superfície agrícola mundial e um terço da superfície da Terra (2). O aumento gradual do consumo de carne tem levado nos últimos anos à progressiva destruição de habitats únicos como a floresta amazónica, com mais de 20 milhões de hectares destruídos para a criação de terrenos de pastoreio desde 1970 (1).
A destruição da vegetação para a criação de terrenos para pastoreio provoca um segundo problema gravíssimo (2). Desprotegidos, os terrenos são facilmente degradados com o aumento da erosão, estando entre 700 milhões e 3 biliões de hectares em todo o Mundo em risco de se perderem (1). Quando um solo já não serve para o pastoreio, novos habitats naturais são destruídos para continuar a produção de carne (2). A produção animal é apontada como a principal causa para a desertificação (3). Num terreno onde é produzido 1 kg de carne, podem ser produzidos 30 kg de cenouras mais 20 kg de maçãs mais 50 kg de tomates e mais 40 kg de batatas (2).

Outro grave problema associado à produção animal é a destruição de recursos hídricos, seja pelo elevado consumo de água (provocando seca), seja pela poluição que é lançada aos rios. Para produzir um quilo de produtos vegetais são necessários cerca de 100 litros de água mas para produzir um quilo de carne é necessário gastar entre 2000 e 15000 litros de água potável (2). Por outro lado, o estrume e urina lançados nos rios provocam a contaminação dos lençóis de água tanto por amónia que é altamente tóxica para os peixes como pelo nitrogénio e fósforo que provocam “booms” (grande e repentino aumento da população) de algas que levam à destruição total dos ecossistemas aí existentes (3). Em Portugal as suiniculturas, com uma criação nacional anual superior a 2 milhões de porcos, são o principal problema de poluição fluvial (4).

Por fim, tendo em conta todo o processo de produção animal, pode dizer-se que esta actividade provoca um efeito no aumento do aquecimento global ao mesmo nível que a poluição automóvel ou industrial (2). Por exemplo, anualmente a criação de animais é responsável pela libertação de 15 milhões de toneladas de metano, sendo que este gás contribui 25 vezes mais para o efeito de estufa do que o dióxido de carbono (2). O aumento previsto de cerca de 2ºC para os próximos anos afecta, não só a vida humana como também a dos animais, provocando a desregulação entre vários ciclos de vida de animais e plantas (1).

Pela abordagem ambiental a dieta vegetariana gasta muito menos recursos (área arável e água), polui muito menos e conserva melhor os ecossistemas terrestres e aquáticos onde habitam animais e plantas.

É mais um óptima razão para deixarmos de comer seres sencientes e optarmos pelo vegetarianismo.

Hugo Evangelista
(Associação Vegetariana Portuguesa 2005)

Referências:

1. “Livestock & the environment: Finding a balance”, FAO (Organização de Alimento e Agricultura das Nações Unidas), 1997.
2. “The Ecological and Economical Consequences of a Meat Orientated Diet”, União Suiça para o Vegetarianismo, 2003.
3. Vegan Outreach, www.veganoutreach.org.
4. “Quercus quer revolução na agro-pecuária e na actuação do Governo nos aspectos ambientais deste sector”, Quercus, 2004.

Curiosidade:

Só no Reino Unido, com uma população de cerca de 58 milhões de pessoas e, felizmente, já com um número significativo de vegetarianos, são torturados e mortos por ano 2,3 milhões de bovinos, 18 milhões de ovinos, 14,2 milhões de suínos, 723 milhões de galináceos (12,5 vezes a população do Reino Unido) , 39 milhões de perus e 13 milhões de patos, entre outros mamíferos e aves (os quais são, de acordo com a biologia moderna, tão sensíveis à dor como um ser humano)

Contador de vidas

Contador de vidas perdidas
Mais de 56 biliões por ano

Número de animais mortos no mundo pela indústria da carne, dos ovos e do leite, desde que você abriu esta página.

Esta contagem não inclui a morte de vários biliões de peixes e outros animais aquáticos, cuja dimensão de tão grande, nem se consegue medir. Suspeita-se que o total de todo o género de animais mortos anualmente em todo o mundo, na realidade possa ser superior a 200 biliões. Este contador é baseado nas * estatísticas de 2007 * do * Atlas da Produção Pecuária Global * da Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO) das Nações Unidas.

 
Por uma alimentação mais saudável, natural, ética, ecológica, sustentável e humanitária.