30 Abr Estender o círculo de compaixão

 

“A nossa tarefa tem de ser libertarmo-nos desta prisão ao estendermos o nosso círculo de compaixão para que abrace todas as criaturas vivas e a totalidade da Natureza na sua beleza.” – Albert Einstein[1]
 
Sabia que os porcos gostam de festas na barriga[2], e que as galinhas gostam de se aninhar nos braços humanos[3]? Sabia que os gansos deixam de comer quando lhes morre um ente querido[4], e que quando uma vaca é separada da sua cria, elas chamam uma pela outra[5]? Sabia que os peixes sentem dor[6], e que as lagostas podem viver mais de cem anos[7]?

 Imagem

Fotografias dos animais: Farm SanctuaryNão gostamos de ver animais maltratados, e acarinhamos os animais que vivem connosco, mas às vezes esquecemo-nos de que os outros animais também sentem, gostam de ser bem tratados e querem viver. Haverá alguma razão para amarmos uns e comermos outros?

Actualmente, milhões de animais sencientes são tratados como meros objectos para darem lucro. São manipulados para crescerem mais do que seria natural, tratados com antibióticos e hormonas, e vivem toda a vida em espaços fechados, sobrelotados e sujos, onde são impedidos de fazerem tudo aquilo que lhes é natural[8]. Além disso, estes animais vivem apenas uma fracção do seu tempo de vida natural: por exemplo, as galinhas podem viver até aos 12 anos, mas quando são criadas para consumo, geralmente são mortas com cerca de 6 semanas[9].

Há animais que precisam de comer carne, mas esse não é o nosso caso. Desde há milénios que pessoas em todo o Mundo, incluindo atletas, têm praticado o vegetarianismo. Pitágoras, Leonardo da Vinci, Tolstói e Gandhi foram alguns dos vegetarianos notáveis do passado, e hoje em dia, cada vez mais pessoas estão a optar por manter os animais fora do prato, incluindo celebridades como Paul McCartney, Ellen DeGeneres, Bryan Adams, Pamela Anderson, Jared Leto, Natalie Portman e Joss Stone. Actualmente, médicos e nutricionistas reconhecem o vegetarianismo como uma opção saudável, e a Associação Dietética Americana defendeu que as dietas vegetarianas bem planeadas são apropriadas para todas as idades, podendo trazer benefícios para a saúde, como menor risco de doenças cardíacas,

hipertensão e diabetes de tipo 2, estando ainda o vegetarianismo associado a taxas de incidência de cancro mais reduzidas[10].

Além disso, produzir alimentos vegetarianos requer menos recursos e polui menos. Por exemplo, usa-se entre 3 e 10 quilos de cereais para se produzir apenas 1 quilo de carne, e isto se a conversão for o mais eficiente possível[11]! Ou seja, seria possível alimentar mais pessoas se o fizéssemos directamente com os cereais e leguminosas que se usam para se alimentar os animais que depois são comidos pelas pessoas. E sabia que, segundo um relatório da FAO (Food and Agriculture Organization of the United Nations), criar animais para alimentação gera mais gases causadores do efeito de estufa do que todos os meios de transporte do mundo juntos[12]?!

Sabia que os barcos pesqueiros têm estado a varrer o fundo dos oceanos, capturando, juntamente com os peixes, diversos animais (muitos dos quais espécies em risco), como tartarugas, golfinhos, baleias, focas e aves marinhas, que depois são atirados novamente para o mar já mortos ou moribundos[13]? Cientistas indicam que, se a situação se mantiver, em 2048 não haverá mais peixes nos oceanos[14].


Tofu à BrásEstes não são bons motivos para considerar fazer refeições sem produtos animais? Não se assuste, pois isso não significa comer só saladas! Existem muitos alimentos deliciosos que certamente gostará de descobrir, e poderá ainda fazer versões sem carne dos seus pratos favoritos (incluindo os pratos tradicionais portugueses).

Associação Vegetariana Portuguesa, 2014
_______________________________
[1] New York Times, 28 de Novembro de 1972, conforme citado por Jon Wynne-Tyson (ed.) em The Extended Circle: A Dictionary of Humane Thought, Centaur Press, 2009, p. 86.

[2] Jeffrey Moussaieff Masson, O Porquinho que Cantava à Lua: O Mundo das Emoções dos Animais Domésticos, Sinais de Fogo, 2005, p. 69-70.

[3] Jonathan Balcombe, O Reino do Prazer: saiba como os animais são felizes, Europa-América, 2008, p. 144.

[4] John Lloyd e John Mitchinson, O Livro da Ignorância sobre o Mundo Animal, Casa das Letras, 2010, p. 101.

[5] Masson, p. 21, 164 e 167.

[6] Victoria Braithwaite, Do Fish Feel Pain?, Oxford University Press, 2010.

[7] Lloyd e Mitchinson, p. 125.

[8] Cf. Jonathan Safran Foer, Comer Animais, Bertrand Editora, 2010. Veja: http://www.meat.org/  

[9] Annie Potts, Chicken, Reaktion Books LTD, 2012, p. 139.

[10] Jornal of the American Dietetic Association, Volume 109, Issue 7, July 2009, pp. 1266-1282.

[11] Peter Singer e Jim Mason, Como comemos: porque as nossas escolhas alimentares fazem a diferença, Dom Quixote, 2008, p. 276.

[12] Henning Steinfeld, et al.Livestock’s long shadow: environmental issues and options, FAO, 2006.

[13] Foer, pp. 53-54.

[14] Boris Worm, et al., Impacts of Biodiversity Loss on Ocean Ecosystem Services, in Science issue 314, 3 November 2006, pp. 787-790.

Sem comentários

Comenta

%d bloggers like this: