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Por Virginia Messina (dietista, co-autora dos livros Vegan for Life, Vegan for Her, Never too Late to Go Vegan, entre outros)

A transição para o veganismo não é fácil para todos. E é evidente que algumas pessoas têm problemas em manter o regime vegano a longo prazo. Por isso, encontrar as melhores formais de apoiar os novos e potenciais veganos é uma parte importante da defesa do veganismo. Infelizmente, os novos veganos, por vezes, dizem que se sentem desencorajados e postos de parte por algumas mensagens que ouvem dos activistas veganos. Baseado nos comentários que ouço bastante frequentemente, aqui estão algumas ideias sobre como podemos tornar mais fácil a transição (e permanência) no regime vegano.

Ser flexível em relação à transição. Não há uma forma “certa” de nos tornarmos veganos. Algumas pessoas retiram todos os produtos de origem animal do seu estilo de vida da noite para o dia, o que é fantástico. Mas para a maioria, a transição é um processo e fazíamos bem em apoiar as pessoas, independentemente da forma que escolhem para se aproximarem do veganismo. As pessoas podem apreciar saber quais os passos que têm o maior impacto na redução do uso de animais, ou podem querer começar com o que parece mais simples de aplicar a elas mesmas e às suas familias. Não importa se eliminam certos grupos alimentares, um de cada vez, ou se começam apenas por adicionar mais refeições veganas à sua alimentação. Não há regras sobre como nos tornarmos veganos.

Focar nas coisas que importam. Evitar aditivos como o Estearoil Lactilato de Sódio, porque talvez possa ser derivado de animais não reduz o sofrimento animal ou faz avançar a causa dos direitos dos animais. A maioria dos pequenos ingredientes de origem animal na alimentação são subprodutos baratos da criação intemsiva. Quando a criação intensiva desaparecer, também desaparecerão estes produtos. A energia e tempo espendidos na investigação, criação e partilha de longas e trabalhosas listas de ingredientes não-veganos são esmagadores, se considerarmos que o seu efeito geral é mais prejudicial do que benéfico. Quando muito, acrescentam uma camada de complexidade (desnecessária) para a transição vegana e reforçam as crenças da dificuldade de se ser vegano. Eu sei que algumas pessoas gostam destas listas, porque é importante, a nível pessoal, evitarem todos os ingredientes de origem animal possíveis. Mas vale a pena fazer algo que nos faz sentir bem, se é contra produtivo em relação à nossa tentativa de chegarmos às pessoas?  

Promover o veganismo – não dietas desnecessariamente restritivas. Já o disse antes e tenho a certeza que o direi muitas mais vezes: defender dietas que incluem restrições desnecessárias relativas à nutrição faz com que seja mais dificil para as pessoas tornarem-se veganas. Estas dietas incluem as sem gordura, sem soja e crudívoras. Por vezes, estas variações do veganismo são entendidas como passos na mesma evolução alimentar. Não são. O veganismo é uma escolha ética e é uma dieta saudável e apropriada a todas as fases da vida. O crudivorismo é uma dieta da moda, que é apropriada apenas para adultos e baseia-se em princípios científicos no mínimo duvidosos. O veganismo sem gordura é uma dieta terapêutica para adultos com problemas de saúde – e como já referi anteriormente, não é necessariamente a abordagem ideal.

Deixar as dietas veganas serem divertidas. Recentemente, uma vegana comentou comigo que não conseguia entender com alguém podia precisar de comer mais do que arroz com feijão ao jantar. Mas faça ou não sentido para nós, a verdade é que a maioria dos americanos – que estão habituados a ingerirem frango frito e costeletas de porco, – podem não achar arroz com feijão assim tão satisfatório. Se não gostar de cozinhar ou não tem muito tempo, ou achar as refeições sem carne imensamente insatisfatórias, ou tem filhos picuinhas para satisfazer, então comida processada como hambúrgueres vegetarianos, molhos para massas, queijo Daiya e bolachas compradas no supermercado tornam muito mais fácil e satisfatório ser vegano.

Ser tolerante quando as pessoas falham. As pessoas erram; vamos dar-lhes uma oportunidade. E a vida e as relações são complicadas. Alguns veganos podem tomar decisões que não parecem veganas para outros – aceitar um presente não vegano de um familiar querido mais velho, ou deixar um filho ir a uma festa de aniversário não vegana. Policiar o comportamento dos outros e fazer julgamentos sobre o que é realmente vegano afasta as pessoas que estão a tentar fazer a coisa a certa e a esforçarem-se para fazerem a diferença. Ninguém é 100% vegano. A maioria de nós usa, de forma consciente, produtos – como livros que são ligados com cola derivada de animais – que tecnicamente não fazem falta à nossa vida, mas que sem eles é extremamente difícil viver. Por isso, quando as pessoas dizem que o veganismo é “absoluto”, normalmente significa que é absoluto na forma como elas o definem.

Ser honesto sobre a nutrição. É bastante improvável que uma dieta vegana seja a única forma saudável de comer e vamos ser sempre encurralados se dissermos que é. Da mesma forma, alguns nutrientes são mais difíceis de obter numa dieta vegana. Se ignorarmos as questões nutricionais, corremos o risco de alguns veganos não progredirem, o que é mau para eles e mau para o veganismo. Usar má ciência para apoiar pontos de vista desactualizados sobre a nutrição vegana não produzirá, a longo prazo, um resultado positivo. O mesmo se aplica a fingir que existem razões para ser vegano, além dos direitos dos animais e o sofrimento animal.

Não fazer promessas que não se podem cumprir. Pessoas que mudam de uma dieta não saudável, típica americana, para uma dieta saudável vegana, provavelmente vão experienciar alguma melhorias na saúde. Mas aquelas que já estão a seguir uma dieta omnívora relativamente saudável, à base de vegetais, podem não experienciar. A ideia de que ao nos tornarmos veganos vamos ter um melhor aspecto, mais energia, protecção contra o cancro, e uma sensação de “bem-estar” é bastante rebuscada. Se fizermos promessas a alguém sobre os benefícios da saúde de uma dieta vegana e isso correr mal, então o nosso argumento sobre o veganismo falhou. O que podemos garantir é que cada passo que cada pessoa dá em direcção ao veganismo reduz o sofrimento e aproxima-nos do fim do uso dos animais. Essa é uma promessa que podemos cumprir! 

Tradução: Maria João Fernandes
Artigo traduzido com permissão da autora
Original: http://www.theveganrd.com/2010/08/7-ways-to-encourage-and-support-new-vegans.html