E os peixes?

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Um artigo publicado no Journal of Fish Biology explica:

O estudo científico do bem-estar dos peixes está numa fase inicial em comparação com o trabalho sobre outros vertebrados, e muito daquilo que precisamos de saber ainda está por ser descoberto. Claramente que os peixes, embora sejam diferentes das aves e dos mamíferos, são, contudo, animais sofisticados, que estão longe das criaturas sem sentimentos com uma memória de 15 segundos da ideia equivocada corrente…
Defendeu-se que quanto mais longa for a esperança de vida de uma dada espécie de animal, e quanto mais sofisticado for o seu comportamento geral, maior é a necessidade de processos mentais complexos semelhantes àqueles que nos humanos dão origem à experiência consciente do sofrimento. Assim, neste contexto, é relevante que os vertebrados com vida mais longa se encontrem entre os peixes e que o comportamento dos peixes é rico, complicado e longe de ser estereotipado…
Na verdade, a literatura
[científica] mais recente sobre cognição dos peixes mostra que muitas espécies de peixes são capazes de aprendizagem e integração de múltiplas parcelas de informação, coisa que requere processos mais complexos do que a aprendizagem associativa. (1)

O sector de produção alimentar em mais rápido crescimento é a aquacultura: um em cada dois peixes comidos é agora criado num viveiro em vez de ser capturado na natureza (2). Tal como acontece com outras formas de criação de animais, as práticas usadas pelos criadores de peixes destinam-se a aumentar o lucro mas podem reduzir o bem-estar dos peixes. Preocupações relativas ao bem-estar incluem: a má qualidade da água, a agressividade, as lesões, e doenças associadas às densidades de povoamento inapropriadas; problemas de saúde resultantes da selecção para um crescimento rápido; manuseamento e deslocação para fora da água durante procedimentos de criação rotineiros; privação de alimento durante o tratamento de doenças e antes da apanha; e dor durante o abate. (1), (3)
Em Janeiro de 2011, a organização Mercy For Animals divulgou imagens captadas clandestinamente que mostram os trabalhadores numa instalação de abate no Texas a usarem alicates para arrancarem a pele a peixes vivos.

“Há, em algumas espécies de peixes, cefalópodes e crustáceos decápodes, provas de capacidade de percepção substancial, sistemas de dor e glândulas ad-renais, respostas emocionais, memórias de longo e de curto prazo, cognição complexa, diferenças individuais, engano, uso de instrumentos, e aprendizagem social.”
– Donal M. Broom, PhD, Professor de Bem-estar Animal na Universidade de Cambridge, Diseases of Aquatic Organisms, Vol. 75, No. 2, 2007

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Nas zonas de pesca marinha mundiais, 87 por cento dos stocks de peixes já estão completamente explorados, sobre-explorados, ou esgotados. (4) Um artigo da UN Chronicle sobre pesca excessiva alerta que “os oceanos são desbravados ao dobro da velocidade das florestas” e que “o aumento drástico de técnicas de pesca destrutivas aniquila mamíferos marinhos e ecossistemas inteiros.” (5) Estima-se que cada ano, centenas de milhares de golfinhos, focas, e outros mamíferos marinhos morrem em redes de pesca no mundo inteiro. (6)

Veja também: relatório da NOAA sobre as “Consequências Ecológicas da Pesca” (PDF, [em inglês]): “Deseja Mercúrio no seu Sushi?”; “Apreciação de bem-estar baseada na ciência: animais aquáticos” (PDF, [em inglês]) da Organização Mundial pela Saúde Animal (OIE); USDA ERS Aquaculture Outlook report for 2006
 
Notas
(1) “Current issues in fish welfare ,” J Fish Biol, 2006; 68: 332–72.
(2) FAO Aquaculture Newsletter, No. 45, August 2010.
(3) Paul J. Ashley, “Fish welfare: Current issues in aquacultureAppl Anim Behav Sci, 2007 May;104(3):199–235.
(4) Food and Agriculture Organization of the United Nations, The State of World Fisheries and Aquaculture 2012 (Rome, 2012).
(5) Udy Bell, “Overfishing,” UN Chronicle, 2004; 41(2): 17.
(6) Andrew J. Read et al., “Bycatch of Marine Mammals in U.S. and Global FisheriesConserv Biol, 2006 Feb;20(1): 163–69.

Tradução: Nuno Metello
Original traduzido daqui
Fotografia de David Falconer
Nota: os animais aquáticos são, de longe, os animais mortos em maior quantidade pelo ser humano. Saiba mais: http://www.fishfeel.org/ 

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