“Tal como nos apercebemos de todos os custos económicos e sociais dos cigarros, vamos descobrir que não podemos mais subsidiar ou ignorar os custos de produzir em massa vacas, galinhas, porcos, ovelhas e peixes para alimentar a nossa crescente população. Estes custos incluem usos altamente ineficientes de água doce e solo, pesada poluição proveniente das fezes da pecuária, taxas crescentes de doenças cardíacas e outras doenças degenerativas e o alastramento da destruição de florestas, das quais está dependente muita da vida do nosso planeta.”
Time Magazine, Visions of the 21st Century, “Will We Still Eat Meat? [“Revista Time, Visões do Século 21, “Ainda comeremos carne?”] 11/8/99

É preciso mais solo, água e energia para produzir carne do que é para cultivar comida vegetariana. É várias vezes mais eficiente comer directamente os cereais do que os dar de comer primeiro aos animais de quinta. De acordo com a Sociedade de Audubon aproximadamente 70 por cento dos cereais cultivados e 50 por cento da água consumida nos Estados Unidos são utilizados pela indústria da carne. Vê também estes excertos de um artigo de opinião da ADA [Associação Dietética Americana].

The Hunger Report 1995 (O Relatório da Fome 1995) do Programa da Fome Mundial de Alan Shawn Feinstein na Universidade de Brown ilustra que uma dieta vegetariana consegue alimentar significativamente mais pessoas que uma dieta centrada na carne:

“A dieta Norte Americana típica, grande parte dela produtos animais, requere o dobro de água para ser produzida comparativamente a dietas com menos carne, comuns em muitos países da Ásia e alguns da Europa. Alimentarmo-nos mais a baixo na cadeia alimentar poderia permitir que o mesmo volume de água alimentasse dois americanos em vez de um, sem perda na nutrição geral.”

Scientific American “Growing More Food With Less Water[“Produzir Mais Comida Com Menos Água”] por Sandra Postel, Fevereiro de 2001

A fome mundial é um problema complicado e alguém tornar-se vegetariano nos Estados Unidos não vai necessariamente aliviá-lo a curto prazo. No entanto, ser vegetariano é um passo positivo na direcção de poupar recursos que podem ser utilizados para alimentar pessoas no futuro.

De acordo com Livestock & the Environment: Finding a Balance (Pecuária e o Ambiente: Encontrar um Equilíbrio), um relatório de 1996 coordenado em parte pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura:

O sistema industrial [de pecuária] é um fraco conversor de energia fóssil. A energia fóssil é um dos inputs principais de sistemas de produção pecuária intensiva, principalmente utilizado, indirectamente, para a produção de rações.

Como Michael Pollan relata em “Power Steer” (New York Times Magazine, 31 de Março, 2002):

Se seguires o rasto do milho…. até aos campos onde é cultivado, vais encontrar uma monocultura de 32 milhões de hectares que consome mais herbicidas e fertilizantes químicos que qualquer outra cultura. Continua e vais conseguir rastrear o escoamento de azoto dessa cultura até ao Mississippi e até ao Golfo do México, onde criou (se esta é a palavra certa) uma zona morta de 31.000 quilómetros quadrados.

Mas podes ir ainda mais longe e seguir o fertilizante que é necessário para fazer crescer esse milho até aos campos petrolíferos do Golfo Pérsico… Assumindo [que um bovino] come 11 kg de milho por dia e atinge um peso de 567 kg, ele terá consumido, no seu tempo de vida, aproximadamente 1000 litros de petróleo. Fomos bem-sucedidos em industrializar a pecuária bovina, tendo transformado o que foi antes um ruminante que trabalhava a luz solar na última coisa que precisávamos: mais uma máquina a combustível fóssil.

Também em “Power Steer”:

As vacas raramente vivem em dieta de engorda durante mais de seis meses, que pode ser mais ou menos o máximo que os seus sistemas digestivos conseguem aguentar….

O que mantém saudável um animal de engorda – ou suficientemente saudável – são os antibióticos…. A maioria dos antibióticos vendidos na América vão parar à ração animal – uma prática que, tem-se agora conhecimento, leva directamente à evolução de novos microrganismos resistentes a antibióticos….

Escherichia coli 0157 é uma estripe relativamente nova de uma bactéria intestinal comum… [esta nova estirpe] é comum em gado de engorda, metade do qual transporta-a nos seus intestinos. Ingerir tão pouco como 10 destes micróbios pode causar uma infecção fatal.

A maioria dos micróbios que reside no intestino de uma vaca e encontra caminho até à nossa comida é morta pelos ácidos nos nossos estômagos, pois, originalmente, estes micróbios adaptaram-se a viver num ambiente com pH neutro. Mas o tracto digestivo das vacas de explorações modernas de engorda modernas tem uma acidez próxima da nossa e, neste novo ambiente criado pelo homem, desenvolveram-se estripes de E. coli resistentes ao ácido, conseguindo sobreviver aos ácidos dos nossos estômagos – podendo assim matar-nos.

De acordo com o Centro para o Controlo e Prevenção de Doenças: (CDC Surveillance Summaries:MMWR 49, no. SS-1, March 17, 2000; PDF):

Durante 1993-1997, um total de 2751 surtos de doenças transmitidas por comida foram relatados…. O serotipo Enteritidis de Salmonella foi responsável pelo maior número de surtos, casos e mortes: as fontes da maioria desses surtos foram atribuídos a ovos usados na alimentação.

“Um tipo de Salmonela que se encontra em ovos está aparecer mais frequentemente em carne de galinha e precisa de ser reduzido, de acordo com o Departamento da Agricultura.

“De 2000 até 2005, quadruplicou o número de testes positivos no despiste de Salmonella enteritidis em corpos de galinhas…

“A Salmonela adoece pelo menos 40.000 pessoas e mata cerca de 600 todos os anos nos Estados Unidos.”

Associated Press, “Salmonella on the Rise in Chicken Meat [Salmonela em Cresimento na Carne de Galinha], 21/11/06

“As dioxinas foram caracterizadas pela EPA (Agência de Protecção Ambiental) como sendo prováveis carcinogénicos humanos e antecipa-se que, a níveis de background1 de exposição, aumentem o risco de cancro….

“A maioria de nós recebe quase toda a nossa exposição a dioxinas a partir da comida com que nos alimentamos: especificamente a partir de gordura animal associada com vaca, porco, galinha, peixe, leite, lacticínios.”

Agencia de Protecção Ambiental dos U.S. “Persistent Bioaccumulative and Toxic Chemical Program: Dioxins and Furans

Em relação ao “Arsénio”, Bette Hileman relata (Chemical & Engineering News, 9 de Abril, 2007):

A Roxarsona… é sem dúvida o aditivo à base de arsénio mais comum usado em ração de galinhas. É misturado na dieta de aproximadamente 70% das 9 mil milhões de frangos produzidos anualmente nos U.S. ….

De acordo com a Agência de Protecção do Ambiente, exposição a longo-prazo a arsénio inorgânico pode causar cancro da bexiga, dos pulmões, da pele, dos rins e do cólon, assim como efeitos imunológicos, neurológicos e endócrinos prejudiciais. Exposições a baixos níveis podem causar paralisação parcial e diabetes.

Excrementos das galinhas introduz grandes quantidades de arsénio nos campos agrícolas….

Apesar de as normas em relação ao arsénio em água de consumo terem sido reforçadas, as normas para resíduos de arsénio em galinhas – 2000 ppb para o fígado e 500 ppb para os músculos – mantiveram-se inalterados durante décadas. Além disso, nem a Food and Drug Aministration nem o Departamento de Agricultura mediram os verdadeiros níveis de arsénio na carne de galinha que a maioria das pessoas consome. O Departamento da Agricultura mediu apenas em fígado de galinha.

1 – Nível típico de dioxinas presente no nosso ambiente.
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Tradução: Luís Campos
Artigo traduzido com permissão
Original: http://www.veganoutreach.org/whyvegan/resources.html</ font>


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