André Nunes

​No último dia 22 de Setembro foi apresentado na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa a obra SIM! Os animais têm direitos de André Nunes, nascido em Lisboa e Licenciado em Direito. Apresentamos aqui uma entrevista online que a AVP fez com o autor.

Vamos primeiro aprender algo sobre ti. Quando e como é que começaste a preocupar-te com animais não-humanos, parando até de os comer?

Não gostaria de começar sem antes agradecer a gentileza do convite para esta entrevista e, também assim, felicitar a AVP pelo excelente trabalho efectuado na defesa e divulgação do vegetarianismo.

Agora, respondendo à pergunta, eu diria que há uma diferença marcante entre preocuparmo-nos com os animais não-humanos e gostarmos deles. Eu sempre gostei de animais, ou pelo menos sempre o fiz desde que me lembro. Recordo-me particularmente das férias no norte do país quando era mais novo, durante as quais privava com vários tipos de animais todos os dias, mas também da minha adolescência rodeado de animais em minha casa. A preocupação com os animais propriamente dita, que extravasa em larga medida o mero gosto e admiração, é bem mais recente e tem apenas sete anos, justamente o momento da minha vida em que iniciei a minha viagem sem retorno pelo vegetarianismo e pela interiorização dos direitos dos animais. Acho que o que me motivou a iniciar esta minha jornada foi, justamente, a soma da sensibilidade com a tomada de consciência do impacto das nossas escolhas, sendo que, para isso, foram decisivos livros como Libertação Animal e Jaulas Vazias, de Peter Singer e Tom Regan, respectivamente, entre outros.

Podes contar-nos, resumidamente, de que é que o livro trata?

O livro aborda a questão dos direitos dos animais numa perspectiva filosófico-jurídica, sendo que o faz num registo leve e coloquial, através do elencar dos principais argumentos de oposição aos direitos dos animais e consequente resposta aos mesmos. É, simultaneamente, um livro de consulta e um livro de reflexão.

Porque é que o escreveste?

Quando o comecei a escrever não tinha ainda em mente a publicação. Comecei a escrever, como tantas vezes faço, com o intuito de colocar as ideias no lugar e de melhor reflectir sobre o assunto. Quando já tinha reunidas algumas páginas daquele que viria a ser o segundo capítulo, então sim, defini para mim mesmo que queria criar algo para, primeiro, fazer a afirmação dos direitos dos animais e, segundo, levar mais pessoas a fazerem a mesma afirmação.

Como tem sido a resposta ao livro?

A resposta tem sido positiva, atendendo ao facto de o livro só ter sido apresentando no passado dia 22 de Setembro (na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa) e de só recentemente ter sido colocado à venda. Por aquilo que consigo percepcionar através das redes sociais e do meu blogue – foca-te.com –, o livro começa agora a chegar a outras pessoas que não somente aquelas directamente ligadas à causa animal, o que é muito bom, atendendo a que o objectivo primordial do livro é colocar o maior número possível de pessoas a pensar sobre o assunto e se possível pessoas que nunca o fizeram antes. Julgo igualmente que parte da aceitação que o livro está a ter se justifica com o facto de a totalidade das receitas devidas ao autor irem ser doadas a associações escolhidas pelo leitor (mais informações em http://www.foca-te.com/responsabilidade-social/).

De que outras formas procuras ajudar os animais? Que tipo de activismo praticas?

O meu activismo não se circunscreve a uma área específica. Pese embora me interesse particularmente o activismo escrito, motiva-me no essencial o poder ser útil aos animais. Por esse motivo, tanto participo em acções de protesto contra circos e espectáculos tauromáquicos, como faço voluntariado colectivo no Grupo de Voluntários no Canil/Gatil do Seixal, como organizo acções de sensibilização em escolas e ATL, como ainda, a expensas minhas e por minha conta e risco, levo a cabo acções de ajuda a animais que necessitam de ajuda. E claro, o activismo mais vincado de todos: levar uma vida condizente com aquilo em que acredito, ou seja, uma vida que tenha em consideração os interesses dos animais.

Ainda estamos muito longe de um mundo onde realmente os animais têm direitos. Achas que as organizações e os activistas estão a fazer o suficiente para alterar a situação? Se não, o que achas que devia ser feito de diferente?

Acho, muito honestamente, que as coisas estão a mudar. Não ao ritmo que todos nós gostaríamos – e precisaríamos –, mas estão a mudar. Sinto que há cada vez mais pessoas a quererem ser portadoras de uma mensagem pelos animais e pelo planeta; sinto que há cada vez maior sensibilidade para o tema e isso, que não é de desprezar, enche-me de satisfação.

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