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Mudar a alimentação pela Justiça Social: 3 boas razões

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Não precisamos de amar animais para reconhecer que eles não merecem ser intencionalmente explorados nem que os humanos têm superioridade moral sobre estes. Tal como reconhecemos que os humanos devem – ou deveriam- estar todos em pé de igualdade moral e ética, devemos reconhecer que há vinculação entre a luta pelos direitos humanos e a luta pelos direitos dos animais.

É inegável a interseccionalidade que os movimentos pelos direitos dos animais e direitos humanos apresentam. O veganismo está intrinsecamente ligado a outras causas sociais, sendo, portanto, também um movimento de justiça social. As tendências para tornar o animal não racional num patamar inferior ao humano e a dificuldade em aceitar que o este é também um animal, além de que partilhamos todos a mesma Terra, lembram outros tipos de discriminação que, infelizmente, é atual. O especismo (“discriminação arbitrária daqueles que não pertencem a uma determinada espécie”) não é muito diferente do racismo, do machismo ou da discriminação social. A defesa pelos direitos dos animais não deve ser desvinculada da defesa pelos direitos humanos. 

“Não existe luta por um único problema porque não vivemos vidas com um único problema”.

Audre Lorde

Como é que o veganismo pode, então, ser uma boa escolha se as nossas maiores preocupações giram à volta da justiça social? Como é que, ao nos tornarmos veganos, estamos a contribuir para um mundo mais justo? 

1. Minimiza a fome a nível global

Para alimentar toda a população do mundo (cerca de 2700 calorias diárias por humano) precisaríamos de cerca de 7,5 quadriliões de calorias por ano. De acordo com um estudo da Universidade de Minnesota de 2013, todos os anos são produzidas, em média, 9,46 quadriliões de calorias em forma de plantas.

Apenas 55% das calorias fornecidas pelos cultivos vão diretamente para os humanos, 9% são utilizadas industrialmente para, por exemplo, combustível, e 36% são usadas para alimentar gado.

O problema surge quando apenas 378 triliões de calorias estão disponíveis para o humano via animal. Isto significa que 89% das calorias são perdidas quando consumimos produtos de origem animal.

Então, apenas estão disponíveis 5,6 quadriliões de calorias para o humano anualmente, menos 1,8 quadriliões do que seria necessário para alimentar toda a população (2700 calorias diárias).

Cerca de 70% da massa terrestre usada para agricultura é utilizada para criação de animais. Se todas as pessoas fizessem a transição para uma alimentação vegetariana, estima-se que a massa terrestre necessária para produção de alimentos baixaria entre 0,6 e 1,2 bilhões de hectares em todo o mundo.

Com estes dados, podemos concluir que a opção mais justa e talvez até mais viável para combater a fome mundial é a adoção de uma alimentação baseada em plantas.

2. Feminismo

A indústria da carne e dos laticínios explora repetidamente corpos de fêmeas na reprodução de novos animais para consumo humano. As fêmeas, nesta indústria, são continuamente fecundadas e engravidadas para garantir que nunca falte leite de vaca nas prateleiras do supermercado. Isto acontece pondo o consumo humano como prioridade, ao invés da saúde das vacas. 

Um estudo de 1997, realizado pela Massachusetts Society for the Prevention of Cruelty to Animals and Northeastern University, mostrou que pessoas que abusam de animais têm cinco vezes mais probabilidades de cometerem crimes violentos, maioritariamente contra mulheres. Tanto os animais como as mulheres estão inseridos num sistema de violência e opressão, no qual os seus corpos servem o desejo dos outros. Se permitimos que um grupo ou espécie seja oprimido e objetificado, estamos a concordar com a objetificação em geral. 

As fêmeas são comumente submetidas à gravidez contínua e à separação dos seus filhos. Existe, portanto, uma normalização da cultura da violação. As fêmeas, na indústria dos produtos animais, são ainda mais objetificadas do que os machos, sendo que, para além de serem usadas para produção de carne para consumo, também são utilizadas como produtoras de mais animais para consumo e de leite para consumo. 

3. Direitos dos trabalhadores 

Enquanto que os animais são os que sofrem mais na indústria da carne, também os trabalhadores são muitas vezes oprimidos pelo sistema que valoriza mais o lucro do que a segurança. Com a alta demanda que existe na indústria, os trabalhadores são frequentemente negados a pausas, até mesmo para ir à casa de banho. O processamento de aves é considerado um dos trabalhos mais perigosos nos Estados Unidos da América, sendo que mais de 27 trabalhadores por dia sofrem de amputações ou lesões graves (segundo um relatório do Projeto Nacional de Lei do Trabalho Americano de 2017).

Trabalhando diariamente rodeados de animais – que, na maior parte das vezes, se encontram em péssimas condições de higiene – os trabalhadores estão expostos a ameaças sanitárias, como a gripe das aves ou a gripe suína, e também a bactérias resistentes a medicamentos. Bactérias como a salmonella podem transmitir-se dos animais para os trabalhadores causando, por exemplo, infecções estafilocócicas.

“A senciência é o vínculo que une todas as espécies animais, humanas e não humanas. Aceito o nosso animalismo compartilhado e defendo a nossa reivindicação comum de sermos poupados do sofrimento e termos direitos inalienáveis”

Peter Tatchell

FONTES:

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