Várias organizações estão a lutar contra uma proposta da UE para banir os supermercados de descreverem hambúrgueres vegetarianos como “hambúrgueres vegetarianos” – uma mudança de regras que poderia ver estas refeições vendidas como “discos vegetarianos”.

MEPs do comité de agricultura do parlamento Europeu votaram em grande número para incluir a proibição do nome num regulamento de rotulação de alimentos no início deste ano, argumentando que os consumidores ficam confusos com o uso de termos de carne em embalagens de produtos sem carne.

Mas outros MEPs que se opuseram a estas regulamentações, que tornariam ilegal a venda de “hambúrgueres”, “salsichas”, “peixe”, e “bifes” vegetarianos, acreditam que os lobbies da indústria da carne estão por detrás deste movimento.

As regras, que receberam o apoio dos grupos políticos principais do parlamento ao nível do comité, irão ser votadas por todos os MEPs depois das eleições parlamentares Europeias, e terão de ser aprovadas pelo Conselho da UE.

Uma petição criada pela organização ProVeg na segunda-feira recolheu 5000 assinaturas em apenas meio dia, com o número de assinantes a aumentar rapidamente a cada minuto.

Os MEPs a favor das novas regulamentações apontam para outra lei da EU que desde 2017 baniu a venda de leite de soja como “leite de soja” – o substituto de leite de vaca tem de ser agora etiquetado como “bebida de soja” seguindo a decisão do Tribunal de Justiça Europeu.

Philip Mansbridge, o porta-voz da ProVeg, disse: “Não há nenhumas evidências que sugiram que os consumidores ficam confusos ou induzidos em erro pela atual rotulagem  dos produtos vegetarianos e vegan. Sugerir que os consumidores não entendem o significado do termo “hambúrguer vegetariano” e outros termos similares é um insulto à sua inteligência.

“O uso de “hambúrguer”, “salsicha”, e “leite” em produtos de base vegetal tem uma função realmente importante em comunicar as características que os consumidores procuram quando compram produtos de base vegetal, especialmente em termos de sabor e textura. Estes têm sido usados com sucesso durante décadas. Porque tornar o assunto confuso?

“As restrições propostas iriam desnecessariamente restringir fabricantes, produtores e as positivas mudanças sociais e ambientais criadas pelo mercado de produtos de base vegetal, um dos sectores mais inovadores e em crescimento mais rápido da indústria alimentar de hoje.”

Outras NGOs também se pronunciaram contra o plano. A Greenpeace diz que as propostas eram “ridículas” enquanto que a MEP Molly Scott Cato disse que seria “um pouco repulsivo se tivesses de comer algo chamado “tubo de proteína vegetal” e que os produtores têm de ser criativos com os nomes se esta regulamentação não conseguir ser parada.

Números dos supermercados do Reino Unido sugerem que um em cada três britânicos pararam ou reduziram o seu consumo de carne em anos recentes, particularmente entre uma demografia mais jovem.

Pesquisas conduzidas pela Vegan Society sugerem que o número de vegans quadruplicou entre 2014 e 2018 no Reino Unido, representando agora 1.2 porcento da população britânica. A Vegetarian Society estima que uns adicionais 2 porcento da população são vegetarianos.

Artigo original: https://www.independent.co.uk/news/world/europe/eu-ban-veggie-burgers-campaign-disks-name-change-european-parliament-a8912116.html