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Será que a nova vacina contra o Covid-19 é vegana?

Ao passo que a pandemia Covid-19 se continua a alastrar a todo o mundo, surgiu uma nova esperança na forma de uma vacina. Mas será esta vacina vegana?

Esta é uma pergunta que um grupo de médicos veganos de renome abordou num vídeo (que podemos ver abaixo), que responde a algumas das preocupações mais comuns sobre esta nova injecção. 

Várias organizações criaram vacinas, e a vacina que está a ser administrada em países como o Reino Unido e os EUA é a vacina da farmacêutica Pfizer.

De acordo com o serviço nacional de saúde do Reino Unido, neste Reino a vacina está a ser dada às pessoas com maior risco de contraírem o coronavírus. É preciso dar duas doses desta vacina a cada paciente, com um intervalo entre ambas de pelo menos 21 dias. 

Na lista de pacientes prioritários estão incluídos os profissionais de saúde. Também são considerados prioritários os residentes de lares de idosos ou as pessoas que aqui trabalham e, também, as pessoas com idade igual ou superior a 80 anos que já tenham consultas marcadas para as próximas semanas. 

As questões à volta da vacina

A vacina foi alvo de suspeitas entre as pessoas que a ela se opõem, que se perguntam como terá sido desenvolvida tão rapidamente e se pode ser considerada vegana – pois foi testada em animais.

O que dizem os médicos veganos

Numa tentativa de responder a estas questões, um grupo de médicos veganos responde que a vacina não contém nenhum ingrediente de origem animal. Mas mesmo assim, muitos veganos ainda se questionam se “devem” ou não tomá-la. 

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“Não é natural”

De acordo com o Dr. Gonzalez, um médico e também director executivo da Veggie Power Summit , uma das problemáticas para os veganos é a crença de que as vacinas não são naturais: “acho que muitos veganos não confiam nas vacinas porque lhes parece ser ficção científica a mais; os veganos consideram as vacinas extremamente anti-naturais – como se fossem algo estranho, de outro mundo. Eu quero dizer que não é nada disso. Por acaso, as vacinas são geniais. Elas aproveitam-se das nossas capacidades naturais, e simplesmente as aumentam. Tomar uma vacina é tão natural como comer uma maçã.”

A Dra. Angie Sadeghi, gastroenterologista e presidente e CEO do Institute of Plant-Based Medicine na Califórnia, diz-nos também: “Fico muito contente por as pessoas terem esta questão. Muitos dos meus amigos veganos têm-me perguntado como é que eu tenho sido capaz de promover esta vacina, argumentando que ela não é natural. Eu respondo-lhes que eles não fazem ideia das coisas que as pessoas que estão na linha da frente têm que fazer. Quando as pessoas ficam infectadas e vêm para os cuidados intensivos, vão receber imensos medicamentos e produtos químicos. Por isso, se as pessoas querem continuar “naturais”, devem escolher a vacina. É a coisa mais natural que se pode fazer para prevenir as consequências da doença. 

O rápido desenvolvimento

Outra questão abordada pelos médicos foi a rapidez com que a vacina foi criada – e se essa rapidez compromete a segurança e eficácia desta. 

De acordo com o Dr. Garth Davis, um médico cirurgião e especialista em gestão de peso “uma coisa que as pessoas têm que perceber é que nós temos estado a fazer vacinas durante muitos anos. A ciência por detrás das vacinas tem mostrado efeitos a longo prazo extremamente baixos. Se sabemos já quais são os efeitos a longo prazo desta vacina? Claro que não. Esta vacina ainda não existe há muito tempo. Mas o modelo mRNA (um tipo de vacina) tem funcionado durante décadas. Já trabalhámos com vacinas para o coronavírus antes. O que as pessoas precisam de entender é que esta vacina não entra nas nossas células nem no nosso ADN para recriar o vírus. A vacina simplesmente cria uma proteína que vai para a célula que é reconhecida e depois sai. Depois de 24 horas, a vacina já não está no corpo. É a maquinaria das nossas próprias células que produz a proteína. Depois de essas células terem sido atacadas e mortas, já não há mais vírus no nosso corpo.

Os médicos argumentam que a vacina pode salvar muitas vidas, mas a questão continua: a vacina é vegana?

Para muitos veganos, uma questão crucial quanto a esta vacina é o facto de esta ter sido testada em animais. No entanto, medindo os prós e contras, os médicos acreditam que os veganos devem tomar a vacina.

Esta é uma orientação que está em linha com o que diz a Vegan Society, que diz quea definição de veganismo reconhece que nem sempre é possível ou praticável evitar o abuso de animais, o que é particularmente relevante para situações médicas. 

No caso do Covid-19, a vacinação terá um papel fundamental na luta contra a pandemia ao salvar vidas. Como actualmente todas as vacinas são testadas em animais, seria impossível ter nesta fase uma vacina que fosse criada sem recorrer a animais. 

Queremos deixar claro que a Vegan Society incentiva os veganos a cuidar da sua saúde e da dos outros, de maneira a conseguirem continuar a ser defensores eficazes do veganismo e dos outros animais. 

Como esta vacina não é obrigatória, é responsabilidade de cada um tomar uma decisão informada sobre a mesma, tendo em conta a definição do veganismo, e com o apoio dos profissionais de saúde.

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Médicos veganos e os testes em animais 

A propósito desta vacina, o Dr. Bitterman diz-nos que houve testes em animais – tal como há com quaisquer outros produtos médicos. Para esta vacina da Pfizer, ele diz-nos que foram usados no total 106 animais (que foram depois mortos) –  dos quais 64 eram ratos e 42 macacos. Quanto a outras vacinas (da Moderna, por exemplo), diz-nos que os dados não são claros, mas acredita que os números sejam parecidos. 

No entanto, o Dr. Bitterman acredita que a recusa em tomar a vacina por oposição aos testes em animais não é a mesma coisa que recusar outros produtos animais, por várias razões:

“Em primeiro lugar, ao tomarmos a vacina não estamos a criar mais procura, por isso não é mesma coisa que quando compramos produtos cosméticos, por exemplo. Se comprarmos produtos cosméticos que foram testados por uma empresa que testa em animais, normalmente eles dizem ‘ok, vamos vender estes produtos, e quando as vendas acabarem vendemos outros produtos… e assim vamos continuar a testar em mais animais’. Não é isto que acontece nos testes pré-clínicos para os produtos farmacêuticos que são aprovados. O teste já está feito. Ao tomarmos a vacina não estamos a incentivar ninguém a testá-la em mais animais. Eu não estou a defender os testes em animais. Eu acho uma pena o que aconteceu a estes animais. Em muitos casos, se não mesmo todos, os animais são eutanasiados… No entanto, se compararmos isso com o número de pessoas salvas e o número de pessoas que ainda vamos salvar, o contraste é astronómico.”

Fonte: Plant Based News

Tradução por Daniela Pereira

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