Bill Gates é um homem que não precisa de introduções. E o seu amor por investir em comida e tecnologia vegan é quase tão conhecido como ele próprio hoje em dia.

Apesar de não ser vegan, Gates já falou em múltiplas ocasiões acerca da importância de reduzir o consumo de carne e a importância da proteína à base de plantas – incluindo uma entrevista em 2013 com o autor de “The Omnivore’s Dilema” e “How to Change Your Mind” Michael Pollan. O magnata da tecnologia fez já a sua parte em tornar o mundo um sitio de mais compaixão.

O fundador do império Microsoft, o empreendedor tecnológico e a sua mulher, Melinda, lançaram a Fundação Bill & Melinda Gates em 2000. Reportaram ser a maior fundação privada do mundo, a obra de caridade apoiou esforços de aumentar o acesso a nutrição, educação, cuidados de saúde, e tecnologia por todo o mundo.

Na sua mais recente carta anual os Gates destacaram algumas histórias de 2018 que os surpreenderam. Acerca da realização de que o número existente de edifícios é previsto dobrar em 2060, o equivalente de construir uma nova cidade de Nova Iorque todos os meses durante 40 anos, Gates escreveu, “Gostava que mais pessoas realmente compreendessem por completo o que será necessário para travar as mudanças climáticas.”

Num vídeo, ele explicou que não é tão simples como apenas mudar para energia limpa – todos os sectores, incluindo a agricultura, precisam de evoluir. “Parte da solução é investir em inovação em todos os cinco sectores para podemos continuar sem destruir o clima. Precisamos de invenções inovadoras em cada um dos grandes desafios,” disse.

1. Investimento na Beyond Meat

Gates reconheceu já há muito tempo as consequências da carne no meio ambiente. O fundador da Microsoft ponderou acerca do dilema ético dos hambúrgueres num artigo de blog intitulado “Should We Eat Meat?”

Nele, escreveu que enquanto uma das suas fundações envolve esforços para tornar carne, lacticínios, e ovos acessíveis a partes mais empobrecidas do planeta, isso vem com um grande problema: “Criar animais pode ter um grande impacto negativo no meio ambiente. Temos de providenciar um animal com muito mais calorias do que aquelas que obtemos ao o consumirmos. É especialmente problemático à medida que convertemos grandes porções de terra com o propósito de produzir plantas para alimentar pessoas, para produzir plantas para alimentar vacas ou porcos.”

Gates acrescentou que desflorestar grandes partes de florestas para criar espaço de cultivo contribui para a mudança climática, assim como criar animais. Apesar de acreditar que não é realista o mundo inteiro mudar para uma dieta exclusivamente à base de plantas, Gates está ciente de que uma dieta com muita carne não é sustentável. Com a população a atingir uns expectáveis 9.6 biliões por volta de 2050, de acordo com dados das Nações Unidas, Gates diz ser necessário moderação e inovação. É a sua preocupação pelo ambiente que o levou a investir em marcas sustentáveis como a Beyond Meat.

Gates investiu na empresa californiana Beyond Meat em 2013 depois de experimentar os seus tacos de frango vegan. “Como a maioria das pessoas, eu não penso que posso ser enganado facilmente. Mas é exatamente isso que aconteceu quando me pediram para provar tacos de frango e dizer se a carne dentro era real ou não,” escreveu no seu artigo. “…O que eu estava a experienciar era mais do que um substituto inteligente de carne. Era uma mostra do futuro da comida.”

Desde o investimento, a Beyond Meat criou o Beyond Burguer, um hambúrguer vegan realístico feito de proteína de ervilhas, com uma base de consumidores 93% omnívora. O seu sucesso levou a estar presente em 35,000 lojas e restaurantes por todo o mundo, incluindo grandes cadeias. A empresa continuou a desenvolver outras carnes realistas como a Beyond Sausage (salsichas) e Beyond Beef (carne picada). Bife e bacon vegan estou no horizonte.

 

2. Investimento na Impossible Foods

Gates é também um apoiante da competidora da Beyond Meat, a Impossible Foods, produtora do Impossible Burguer, um hambúrguer também à base de plantas. Gates foi um dos vários magnatas de topo a investir na empresa californiana com um fundo de 75 milhões em Agosto de 2017.

Como a Beyond Meat, a Impossible Foods tem como objetivo alavancar a tecnologia alimentar, oferecendo uma solução mais sustentável à carne convencional. “[A atual indústria da carne] é baseada em tecnologia pré-histórica que não melhorou em milhares de anos – usar animais para tornar plantas em comida. É fundamentalmente impossível de ser melhorado,” diz Pat Brown, CEO da Impossible Foods à CNBC.

O hambúrguer à base de plantas, originalmente formulado com trigo e proteína de batata e hemo – o componente rico em ferro que dá ao Impossible Burguer o seu sabor realístico – foi lançado em restaurantes de topo primeiro. Em Setembro passado, esta carne-se-carne foi lançada na cadeia de fast-food White Castle depois de uma ronda de teste bem sucedida em localizações seletas.  No Consumer Electronics Show em Las Vegas no início deste ano, a empresa revelou o Impossible Burguer 2.0., à base de proteína de soja, cujo lançamento no retalho está planeado ainda para este ano.

 

3. Investimento na Motif Ingredients

Gates não terminou o seu investimento em proteína vegan com a Beyond Meat e a Impossible Foods. Em Fevereiro, o empreendedores tecnológico, Jeff Bezos, e Richard Branson lideraram um investimento de 90 milhões de dólares na startup Motif Ingredients, uma ramificação da firma tecnológica Ginkgo Bioworks.

A nova empresa irá trabalhar com a Ginkgo para identificar vitaminas e proteínas encontradas no leite ou carne. Partindo daí, os ingredientes serão produzidos, através da bio-engenharia, com fermentos e bactérias usando um processo de fermentação similar à cerveja. O objetivo final é criar ingredientes que poderão ser usados para aperfeiçoar carne, lacticínios e ovos vegan.

Os ingredientes poderão também ser usados para fazer carne limpa – carne sem abate feita a partir de células reais de animais – algo que Gates também apoia. O empreendedor eco-consciente é um investidor na startup Memphis Meats.

“Há uma clara tendência de interesse do consumidor em proteínas alternativas e versões sem animais de peixe e hambúrgueres e nuggets de frango e todas essas coisas,” disse Jason Kelly, fundador e CEO da Gingko à Fast Company. “E há basicamente a expectativa de que estas empresas façam o impossível, que é, hey, constrói uma marca, desenvolve um produto novo, e enquanto estás nisso, porque não arrancar com uma equipa de pesquisa e desenvolvimento biotecnológica para criar alguns desses ingredientes chave de que vais precisas para conseguir criar esses produtos.”

 

4. Combater o desperdício alimentar

Motivados a criar um futuro alimentar mais sustentável, a Fundação Bill & Melinda Gates investiu na startup tecnológica de Santa Bárbara, California, Apeel Sciences no passado Junho. A empresa criou um spray orgânico, invisível e seguro, feito de desperdícios de materiais à base de plantas para ajudar os abacates a durarem até duas vezes mais. O líquido protege frutos de gases que causam o seu apodrecimento.

“A refrigeração tem sido usada para aumentar a qualidade de frutas e legumes durante o transporte e armazenamento, mas perde-se o benefício da refrigeração quando um fruto é exposto numa prateleira ou colocado num balcão de cozinha. Com a nossa tecnologia, conseguimos reduzir drasticamente o ritmo do relógio,” explica o CEO James Rogers.

Foram desenvolvidos também sprays para outros produtos frescos como nectarinas, pêssegos, limões, pêras e espargos.

O derradeiro objetivo é evitar custos crescentes alimentares e combater o desperdício alimentar, o que contribui para as mudanças climáticas.

 

5. Esforços Humanitários

Juntamente com Melinda, muito do trabalho de Gates através da sua fundação é conectar esforços humanitários. A Fundação Bill & Melinda Gates segue o etos de que “todas as vidas têm valor equivalente,” realçando que o casal é “impacientemente optimista e a trabalhar para reduzir desigualdade.”

Os investimentos de Gates na Apeel Sciences não só combatem desperdício alimentar, mas também poderão ligar nações empobrecidas a frutas e legumes mais duradouros.

Em Setembro passado, Gates sentou-se para uma entrevista com a redatora chefe do National Geographic Susan Goldberg sobre como esperam conseguir melhorar o acesso de países africanos a comida nutritiva, educação, e cuidados de saúde.

“Hoje em dia mais de metade das crianças da África não chega a desenvolver-se completamente tanto a nível físico como mental devido à desnutrição, a sua dieta, e as doenças que enfrentam”, diz. “Estou super entusiasmado de que até ao fim da década esperamos fazer intervenções baratas para que essas crianças de desenvolvam completamente. Isso significa que todos os investimentos que sejam feitos na sua educação, para beneficiar da sua produtividade, funcionará muito melhor. Portanto se pudesse escolher apenas uma, seria a intervenção para parar a desnutrição.”

No passado Outubro, Gates, o antigo Secretário-Geral das Nações Unidas Ban Kimoon, e a CEO do Banco Mundial Kristalina Georgieva lançaram a Global Comission on Adaptation para reduzir o dano das alterações climáticas. Os efeitos do aquecimento global podem facilmente empurrar 100 milhões de pessoas para a pobreza extrema até 2030, de acordo com o Banco Mundial. O grupo irá trabalhar para encontrar soluções que podem restringir o aquecimento global e apresentar um plano na cimeira do clima das Nações Unidas este ano, reporta o National Geographic.

“Estamos num momento de grande risco e bastante promissor. Precisamos de políticas para ajudar populações vulneráveis a se adaptarem e precisamos certificar-nos de que os governos… estão … a apoiar inovação e ajudar a implementar essas descobertas nos locais que mais precisam delas”, afirmou Gates.

Através da Fundação Bill & Melinda Gates, o poderoso casal assumiu uma multitude de problemas. Ajudou pessoas em nações em desenvolvimento a ganhar acesso a educação e cuidados de saúde e deu a comunidades pobres dos Estados Unidos os recursos necessários para o sucesso escolar. Ajudaram também agricultores a aprenderem como aumentar a sua produção de forma sustentável, melhorou a saúde feminina e o acesso a métodos contraceptivos em comunidades, e estão a trabalhar para combater doenças infeciosas.

A fundação trabalhou com pesquisadores para erradicar a poliomielite e a malária e providenciou vacinas cruciais a áreas do mundo que delas mais precisam. Tem também como objetivo acelerar o tratamento do VIH e a sua prevenção estendendo a vida daqueles que vivem com esta doença autoimune.

O casal bilionário doou também dinheiro a diversas organizações sem fins lucrativos, incluindo a americana para crianças Nelson Mandela, a Organização Mundial de Saúde, a Human Rights Watch, o abrigo para mulheres de Seattle Mary’s Place, o Young Feminist Fund, e Choose Love, uma obra de caridade de apoio a refugiados.

Artigo original: https://www.livekindly.co/how-bill-gates-making-world-vegan/